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Do Carnegie Hall lotado a Pablo Escobar: a intensa vida de Nelson Ned, um dos maiores cantores da história do Brasil


“Mas tudo passa, tudo passará / E nada fica, nada ficará / Só se encontra a felicidade/ Quando se entrega o coração”. Esses versos compõem a canção “Tudo passará”, de Nelson Ned. Gravada em 1969, ela foi um dos seus maiores sucessos, sendo regravada mais de 40 vezes.

Conhecido como “pequeno gigante da canção”, Nelson Ned D’Ávila Pinto nasceu em 2 de março de 1947, em Ubá, Minas Gerais. Sendo o primeiro filho de uma família de 7 irmãos. Na infância, foi diagnosticado como portador de displasia espôndilo-epifisária, uma alteração genética que fez com que ele tivesse baixa estatura, atingindo apenas 1,12 m de altura.

Criado em meio à música, desde cedo, Nelson viu a sua mãe tocar piano, violão e acordeom, além de estudar canto lírico; seu pai, também gostava muito de cantar. Assim, aos quatro anos de idade, o garoto participou de um programa chamado “A hora do guri”, transmitido pela Rádio Educadora Trabalhista de Ubá, e ganhou o primeiro lugar.

Buscando melhores condições de vida, a sua família mudou-se para Belo Horizonte e, aos 12 anos, ele começou a trabalhar como secretário do gerente da fábrica Lacta. Além de ajudá-lo bastante, seu chefe era o pai da jovem que serviu de inspiração para a sua mais famosa canção.

Nelson Ned começou a participar de programas de TV e a cantar nas rádios da região, começando, dessa forma a consolidar a sua carreira.

Com uma voz imponente e melodiosa, ele se tornou um dos grandes nomes da música romântica, encantando a América com os seus boleros.

Em 1969, alcançou a consagração definitiva com a canção “Tudo passará”, com a qual venceu o Festival da Canção de Buenos Aires. O sucesso estrondoso dessa música, fez com que se tornasse uma atração frequente do programa do Chacrinha, a quem ele atribuía a paternidade de sua carreira artística. Para Ned, o apoio do apresentador foi essencial em sua vida, ele lhe deu “oportunidade e comida”, já que ser um cantor de música brega e anão não era uma tarefa fácil no Brasil.

Nos anos 70, seu sucesso chegou aos Estados Unidos, e Nelson Ned se transformou no primeiro artista latino-americano a vender um milhão de cópias com seus discos. Cantou ao lado de Julio Iglesias e Tony Bennett e lotou teatros como o Madison Square Garden e o Carnegie Hill.

Ao longo de sua carreira, vendeu 45 milhões de álbuns e produziu 32 discos, vários deles em espanhol, tornando-se um grande ídolo no México, Colômbia, Argentina e Panamá, além de Espanha, Portugal, Angola e Moçambique.

Estabeleceu importante relação com grandes nomes da música internacional, tornando-se muito admirado por suas canções em espanhol. O escritor Gabriel García Márquez afirmou que escrevia as suas obras ouvindo Nelson Ned. Pablo Escobar tinha todos os discos dele e foi um dos patrocinadores do show que ele realizou em Bogotá, em 1983.

Em 1990, Ned se converteu à religião evangélica. Segundo ele, isso aconteceu em uma madrugada na qual Deus lhe disse que ele deveria mudar e deixar de lado aquela vida de vícios e depravações que levava. Ele passou a cantar música gospel e emplacou grandes sucessos nas listas de canções religiosas.

Em 2003, sofreu um acidente vascular cerebral e ficou com sequelas, tendo perdido a visão do olho direito e passando a usar cadeira de rodas. Em seus últimos dias, enfrentava também o Alzheimer em fase inicial, tendo que lidar com o início da perda da memória. Depois do seu AVC, Nelson Ned se afastou da vida pública e passou a viver em uma residência assistida em São Paulo.

O pequeno gigante da canção morreu em 5 de janeiro de 2014, no Hospital Regional de Cotia, em São Paulo. Suas canções, entretanto, seguem fazendo muito sucesso no Brasil e no exterior. Ele dizia que já tinha nascido feliz e trouxe a felicidade para muitos casais apaixonados. Ao falar sobre o título de cantor brega que recebia, Nelson Ned questionava: “Quem não é brega quando fala de amor? É o amor que é brega, não a minha música”.

O fato é que a sua voz marcante e seus versos embalaram muitas histórias de amor e se eternizaram na música romântica, fazendo com que até hoje muita gente se lembre do amor exagerado que transbordava de suas canções: “Hoje eu sei que não vou mais chorar / Se em mim já não há alegria/ A esperança me ensina a gritar”.

Referências:

https://entretenimento.r7.com/musica/pequeno-gigante-da-cancao-nelson-ned-conquistou-as-americas-com-sua-voz-06102019

http://g1.globo.com/sao-paulo/musica/noticia/2014/01/nelson-ned-morre-em-sao-paulo.html

https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/01/05/interna_gerais,484897/morre-aos-66-anos-o-cantor-nelson-ned.shtml

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