A Foice da Igualdade: a história da guilhotina, a máquina que cortou a cabeça do Rei

Há registros de que a guilhotina tenha sido usada no século XIV na Irlanda, Inglaterra e Escócia, mas a data que se tornou mais conhecida a respeito de seu uso é 1792, durante a Revolução Francesa. Nesse período, o idealizador de seu uso foi o médico francês Joseph Guillotin, que propôs uma unificação do modo como se puniam criminosos naquela época. Para ele, os condenados deveriam ter uma morte rápida e sem dor, o que poderia ser alcançado através da guilhotina.

Naquela época, a guilhotina era formada por uma lâmina losangular, com cerca de 40 kg, suspensa numa grande armação reta com cerca de quatro metros de altura. Com o auxílio de uma corda, a lâmina era levada até a parte superior dessa estrutura e quando ocorria a execução, a corda era liberada e a lâmina caía, separando a cabeça do condenado do resto de seu corpo.

Inicialmente, o equipamento foi testado com ovelhas vivas. No dia 15 de abril de 1792, os testes foram feitos com cadáveres humanos e, no dia 25 de abril de 1792, foi feita a primeira execução pública fazendo uso desse instrumento.

O primeiro homem a ser executado dessa forma foi Nicolas-Jacques Pelletier. Ele havia sido condenado por roubo e assassinato. A execução foi considerada um sucesso e, segundo os jornais da época, a guilhotina era uma ferramenta mais apropriada para realizar as punições de acordo com o que previa a lei, já que se esperava que ela fosse severa, mas jamais deveria ser cruel.

Esse instrumento, entretanto, passou a ser amplamente utilizado após a Revolução Francesa. Qualquer pessoa que se opunha ao regime era decapitada. Em 1794, cerca de 20 mil condenados foram executados em Paris, dentre eles, Georges Danton, um dos líderes da Revolução.

A frequência com que a guilhotina passou a ser utilizada fez com que ela se tornasse um dos símbolos da crueldade e da opressão que marcaram a França nesse período. A ideia de Guillotin de diminuir o sofrimento dos condenados à morte acabou sendo usada como uma forma de punir aqueles que eram vistos como inimigos de quem ocupava o poder.

Joseph Guillotin propôs o uso dessa ferramenta para que a pena capital fosse aplicada da mesma maneira para todos, já que os mesmos crimes eram punidos de forma diferente, conforme a classe social do condenado. Alguém que pertencesse à nobreza poderia escolher ser executado através do uso de uma espada ou machado, já as pessoas comuns eram mortas através de pesadas rodas de madeira que quebravam as suas articulações, em seguida, elas eram esquartejadas ou enforcadas.

Joseph Guillotin

Após algumas tentativas e muitas discussões na Assembleia Legislativa, Guillotin conseguiu fazer com que a sua proposta fosse aceita e seu nome acabou servindo para batizar o instrumento que passou a ser usado nas execuções. Em janeiro de 1793, Luís XVI, o rei que havia sancionado a lei que determinou o uso da guilhotina, acabou sendo mais uma das vítimas do instrumento que se tornou uma verdadeira febre na França daquele período. Em outubro do mesmo ano, sua esposa, Maria Antonieta, também teve a sua cabeça cortada.  

O desejo humanitário de Guillotin acabou se tornando uma máquina de exterminar inimigos e seu nome ficou para sempre associado a um instrumento usado para dar fim àqueles que eram considerados indesejáveis.

Há um mito que diz que o criador da guilhotina também acabou executado nela, porém, na verdade, a pessoa decapitada foi um médico chamado J.M.V. Guillotin.

Joseph Guillotin morreu em 1814 e ficou para sempre lembrado como o criador de um invento terrível. Mesmo que a sua intenção tivesse sido proporcionar aos condenados uma morte menos cruel, seu nome é lembrado como aquele que concretizou o uso de uma ferramenta que virou o símbolo da repressão revolucionária e deixou um lastro de morte pela França durante os anos que precederam a Revolução Francesa.

Referências:

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-era-uma-execucao-na-guilhotina/

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/guilhotina-a-solucao-humana.phtml

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