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O Esquartejador de Mulheres: a tenebrosa história de Chico Picadinho

Quando pequeno, Chico torturava e matava gatos. Foi abusado sexualmente e presenciou a mãe atendendo clientes em atividades sexuais. Essa dramática trajetória levaria Chico Picadinho a ficar conhecido como um dos assassinos mais famosos da história do Brasil

Francisco Costa Rocha nasceu em 27 de abril de 1942, no Espírito Santo. Fruto do relacionamento de uma mulher que se prostituía e de um homem rico da região, ele cresceu sem os cuidados maternos e paternos, sendo cuidado, durante algum tempo, por empregados de seu pai. Vivia brincando no mato, em meio a porcos, cobras, gatos e galinhas e foi nessa época que deu início a ações que já indicavam o tipo de adulto que se tornaria. Francisco torturava os gatos e os matava usando as mais variadas estratégias.

Algum tempo depois, voltou a viver com a sua mãe e a presenciou, em diversas ocasiões, atendendo seus clientes.

Há relatos de que tenha presenciado também um caso de pedofilia na escola católica onde estudava. Assim, ele foi se isolando cada vez mais e se tornando uma pessoa com dificuldades de conviver socialmente, o que se agravou quando sofreu um abuso sexual na juventude,

Ao atingir a idade adulta, tornou-se corretor de imóveis e alcançou certa estabilidade financeira, gastando grande parte de seu dinheiro com prostitutas e drogas. Ele dividia seu apartamento com um médico e foi ali que cometeu seu primeiro crime, o qual lhe deu a alcunha de Chico Picadinho.

Era agosto de 1966, após beber em um bar com a bailarina austríaca Margareth Suida, ele a levou ao seu apartamento e, durante uma relação sexual, matou-a enforcada com um cinto. Para ocultar o cadáver, cortou-o em vários pedaços, fazendo uso de lâminas de barbear e uma faca.

Após o crime, dormiu calmamente no sofá. No dia seguinte, comunicou o seu amigo do assassinato. A polícia foi avisada e Francisco foi preso no dia 5 de agosto de 1966. Em seu depoimento, ele disse que havia matado a bailarina porque ela o lembrava de sua mãe, segundo ele, uma mulher que também se envolvia com diversos homens em busca de dinheiro.

Foi condenado por homicídio qualificado e desintegração de cadáver, permanecendo na cadeia até 1974, quando uma junta médica declarou que ele estava apto a voltar ao convívio em sociedade.

Em 16 de outubro de 1976, entretanto, Chico Picadinho fez uma nova vítima. Após levar Ângela de Sousa da Silva ao apartamento onde morava, ele a matou estrangulada e dividiu seu corpo em onze partes, usando facas, lâminas de barbear e um serrote, fugindo do local em seguida. Ficou foragido durante 28 dias, sendo, finalmente, preso e condenado a 22 anos e 6 meses de reclusão e diagnosticado como portador de personalidade psicopática de tipo complexo. Em 1994, foi encaminhado à Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté para ser tratado de insanidade mental, sendo considerado alguém que possui personalidade sádica e psicopática.

Além do horror provocado pelos dois crimes de Chico Picadinho, seu caso se tornou objeto de conflitos jurídicos, já que ao ter a sua pena cumprida, restou o questionamento se ele estaria apto a ser colocado em liberdade. Em 2017, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou que ele continuasse internado na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, o que contrariava a decisão de uma juíza da Vara de Execuções Criminais que havia concedido a liberdade a Chico. O argumento para mantê-lo internado é o de que ele possui personalidade psicopática perversa, amoral e sádica, transtorno de personalidade dissocial e transtorno categórico misto, podendo colocar em risco a sua vida e a de quem com ele vier a conviver.

Para a juíza Sueli Seraik de Oliveira Armani, da 1ª. Vara de Execuções Criminais de Taubaté, mantê-lo preso fere o Código Penal e a Constituição Brasileira, pois ele já ultrapassou o limite de 30 anos de reclusão, desse modo, ela determinou que Francisco fosse encaminhado para unidade de Saúde Mental do governo de São Paulo, na qual deve receber tratamento psicológico diário, assim, ele segue sob a tutela do Estado.

Referências:

Brustolin, G. F., & Steffens, A. F. (2019). A CONSTITUCIONALIDADE DA INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA DE PSICOPATAS SERIAL KILLERS: ANÁLISE DO CASO CHICO PICADINHO. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc São Miguel Do Oeste, 4, e23564. https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/apeusmo/article/view/23564

SACRAMENTO, Lívia de Tartari e. “Psicopatologia Forense e o Caso Chico Picadinho: estória pregressa e primeiro assassinato”, 2012. http://www.redepsi.com.br/2012/06/21/psicopatologia-forense-e-o-caso-

-chico-picadinho-est-ria-pregressa-e-primeiro-assassinato

https://noticias.r7.com/prisma/arquivo-vivo/quarenta-anos-depois-chico-picadinho-deixa-a-prisao-22012019

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