Salgado de carne humana: a sinistra história dos Canibais de Garanhuns

Práticas de canibalismo geram repugnância sempre que são mencionadas. É muito difícil assimilar que um ser humano possa ingerir carne humana, mas, ao contrário do que se possa imaginar, ao longo da história, é possível encontrar diversos casos em que essa prática aconteceu. E não estamos falando de povos primitivos ou de rituais de antropofagia praticados por tribos indígenas, por exemplo. Muitas são as histórias de crimes que envolveram canibalismo ou de fetiches sexuais que envolvam a prática.

Uma dessas histórias aconteceu no Brasil, na cidade de Garanhuns, Pernambuco, e veio à tona em 2012. Conhecidos como “Canibais de Garanhuns”, Jorge Beltrão Negromonte de Oliveira, Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva estiveram envolvidos na morte de três mulheres, cujos corpos foram esquartejados e comidos pelo grupo.

Jorge era casado com Isabel, mas, com o consentimento da esposa, passou a viver também com Bruna, que tinha fugido da casa dos pais. Ele era formado em Educação Física e dava aulas de Karatê, entretanto, foi acometido por uma forte depressão e Isabel passou a vender empadas para sustentar a família e comprar os remédios de que o marido precisava.

O primeiro crime cometido pelo trio aconteceu em Olinda, Pernambuco, em 2008. A vítima foi Jéssica. Ela tinha uma filha pequena e vendia balas no semáforo para sustentá-la. Isabel convenceu Jéssica a ir morar em sua casa, sob a alegação de que lhe pagaria um salário mínimo para realizar o trabalho doméstico. Mesmo com a discordância de seu pai, Jéssica aceitou a oferta e foi viver com a filha na casa do trio.

A jovem foi morta com um golpe de faca desferido por Negromonte. Com a ajuda de Isabel e Bruna, seu corpo foi esquartejado, a pele foi tirada e pedaços foram guardados para que eles se alimentassem com eles durante cerca de quatro dias. Os restos mortais da vítima foram enterrados no quintal e na parede da casa.

Na época, a filha de Jéssica tinha cerca de um ano, embora haja controvérsias, há quem diga que ela foi alimentada com a carne da própria mãe. Jorge e Bruna falsificaram documentos e passaram a se apresentar como pais da criança.

Eles se mudaram para Garanhuns e lá fizeram mais duas vítimas. A primeira delas foi Giselly. Jorge a conheceu no CAPS, onde fazia um tratamento psicológico. Ela entregava panfletos na rua e tinha três filhos. Saiu de casa dizendo que iria trabalhar de babá e receber um bom salário, entretanto, nunca mais voltou.

Giselly foi morta por Negromonte, seu corpo foi levado para o banheiro e lá ficou enquanto seu sangue escorria pelo ralo. Ela foi esquartejada e pedaços de seu corpo foram guardados para que pudessem ser comidos pelo trio.

A terceira vítima foi Alexandra, levada por Isabel com a mesma proposta de emprego, ela foi morta assim que chegou na casa. Além de servir de alimento para a família, Isabel disse que a carne de Alexandra foi usada para rechear as empadas que ela vendia. Essa versão é contestada em alguns depoimentos, mas causou repugnância em quem tinha consumido as empadas.

O sumiço de Giselly e Alexandra e o desespero de suas famílias por respostas fizeram com que os “Canibais de Garanhuns” fossem descobertos. A família de Giselly recebeu uma fatura de seu cartão de crédito, a qual identificava compras realizadas dois dias depois do seu desaparecimento. Através da análise das imagens das câmeras dos estabelecimentos onde as compras tinham sido realizadas, os policiais identificaram um casal que tinha feito uso do cartão e chegaram à casa de Jorge, Isabel e Bruna.

No local, encontraram a menina filha de Jéssica e os restos mortais das duas mulheres desaparecidas.

Na delegacia, Isabel confessou tudo que faziam. O crime bárbaro ganhou as páginas dos jornais, a cidade ficou em polvorosa e o desespero tomou conta de quem havia comprado as empadas de dona Isabel.

Eles alegaram fazer parte de uma seita chamada Cartel. Liderada por Jorge, a seita tinha o objetivo de fazer o controle populacional, por isso, tinha como vítimas mulheres que criavam seus filhos sozinhas. Segundo eles, a morte era a forma de purificar os corpos e salvá-los. Eles alegavam, ainda, que Negromonte recebia avisos de entidades espirituais que lhes apontavam a maldade das mulheres a serem mortas. Comer a carne dessas mulheres, era, segundo eles, uma forma de purificá-las.

Na prisão, Jorge publicou seu diário chamado “Revelações de um Esquizofrênico”, no qual dizia não se lembrar dos crimes que praticara e ter agido sob a influência de forças malignas que o obrigavam a cometer atos terríveis.

Em 2014, o trio foi julgado pelo assassinato de Jéssica. Eles foram condenados por homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e vilipêndio (canibalismo de partes do corpo). Jorge foi condenado a 21 anos e seis meses de reclusão em regime fechado. Isabel e Bruna foram condenadas a 19 anos de reclusão.

Embora a defesa do trio tenha se baseado na existência de distúrbios mentais dos réus, a promotoria sustentou a tese que eles sabiam o que estavam fazendo e tinham pleno domínio de suas faculdades mentais.

Em 2018, foram também condenados pelas mortes de Giselly e Alexandra e, mais uma vez, a tese de insanidade mental não foi aceita e os três foram considerados imputáveis. Jorge recebeu uma pena de 71 anos. Isabel pegou 68 anos e Bruna, 71. Essas penas serão somadas à condenação anterior e o trio de canibais de Garanhuns deverá ficar por longos anos na prisão.

Referências:

https://www.vice.com/pt/article/gy8mvx/o-jogos-mortais-brasileiro-canibais-de-garanhuns

https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2014/11/14/interna_nacional,590239/trio-conhecido-como-canibais-de-garanhuns-e-condenado-por-juri-popular-em-pernambuco.shtml

https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,canibais-de-garanhuns-sao-condenados-no-recife-depois-de-6-anos,1593091

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