Maria Quitéria, a primeira mulher a fazer parte do exército brasileiro

Maria Quitéria de Jesus nasceu no dia 27 de julho de 1792, na fazenda Serra da Agulha, freguesia São José de Itapororocas, atual Feira de Santana, na Bahia. Tornou-se conhecida por ter sido a primeira mulher a ingressar no exército brasileiro.

A história de Maria Quitéria poderia ter sido comum, não fosse sua persistência em realizar o seu sonho. Aos dez anos de idade perdeu a sua mãe e passou a cuidar da casa e dos seus dois irmãos. Seu pai casou-se novamente, ficando viúvo em seguida. Em seu terceiro casamento, teve mais três filhos, sua nova esposa, no entanto, não aprovava o comportamento de Maria Quitéria e a julgava rebelde demais.

Ela não frequentou a escola, mas dominava a montaria, a caça e o manejo de armas de fogo.
Após a Independência, a Bahia foi tomada por movimentos de resistência, já que muitos portugueses não aceitavam a perda do domínio português, assim, tem início um embate entre o exército português e as tropas baianas.

Ao saber que o governo baiano estava recrutando soldados voluntários, Maria Quitéria pediu autorização ao seu pai para se alistar, mas ele recusou, afirmando que às mulheres cabia apenas bordar, coser, cuidar da casa e dos filhos. Ela, porém, não desistiu. Com a ajuda de sua irmã, cortou o cabelo, vestiu-se com as roupas do cunhado e se alistou no batalhão dos “Voluntários do Príncipe Dom Pedro”, tornando-se, desse modo, o soldado Medeiros, nome que tomou emprestado de seu cunhado.

Atuando como cadete do batalhão que ficou conhecido como “Periquitos”, por causa de suas fardas verdes, ela só foi descoberta duas semanas depois, quando seu pai procurou o exército suspeitando do desaparecimento da filha. Diante de sua bravura, disciplina e domínio do manejo das armas, o major José Antônio da Silva Castro não permitiu que ela fosse desligada do exército e ela participou de vários combates, atuando bravamente na defesa da Ilha da Maré, da Pituba, da Barra do Paraguaçu e de Ipuã, tornando-se um grande exemplo de bravura em batalha e sendo homenageada pela população local.

Vencida a campanha, Maria Quitéria foi condecorada pelo Imperador Dom Pedro I, recebendo dele “ordem Imperial do Cruzeiro do Sul” e uma carta na qual ele pedia que seu pai a perdoasse por ter fugido de casa para se alistar. Promovida a alferes, ela retorna à Bahia, casa-se com um antigo namorado, o lavrador Gabriel Pereira de Brito, e com ele tem uma filha, Luísa Maria da Conceição.

Após a morte do esposo, muda-se com a filha para Salvador, falecendo cega e quase anônima em 21 de agosto de 1853.
No centenário de sua morte, Maria Quitéria de Jesus recebeu homenagens do exército, sendo reconhecida como uma heroína das guerras de independência brasileira e passou a ter o seu retrato em todas as unidades e repartições do Exército. Atualmente, ela é lembrada como exemplo de emancipação feminina, uma mulher que marcou a história do Brasil e não se submeteu ao destino que era reservado às mulheres de sua época, deixando seu nome registrado como a primeira mulher a ingressar no Exército Brasileiro.

Imagem: “Dona Maria de Jesus”. Augustus Earle e Edward Finder, 1824.

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Referências:

COELHO, Raphael Pavão Rodrigues. “A memória de uma heroína: a construção do mito de Maria Quitéria pelo Exército brasileiro. Dissertação de Mestrado. Niterói, R.J.: Universidade Federal Fluminense, 2019.LIMA, João Francisco de. “A incrível Maria Quitéria”. São Paulo: Nova Época, 1977.

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/mulheres-que-mudaram-a-historia-maria-quiteria/?fbclid=IwAR3dsRFnJz9ylPkpsCbEmZXp3cO0NQOk3g_NuUcRG-a2QgIsP_nbqiHQaZA

https://www.scielo.br/pdf/his/v24n1/a05v24n1.pdf?fbclid=IwAR2d977-Mf0hSEaSwyPArP7-w4qtTUcWB4eb1TtM1kPkYxBjygXVsNshY1E

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