Programa “Livre” a atração televisiva que melhor captou os sentimentos e identidade da juventude dos anos 90

Apresentado por Serginho Groisman, durante toda a década de 1990, o programa animava as tardes dos jovens da década de 90, criando um clima de animação raras vezes visto novamente no mundo do entretenimento televisivo.

Em agosto de 1991, o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) apresentou a nova grade de programação em comemoração aos 10 anos de existência da emissora. As novas atrações também buscavam fazer a leitura da nova década que se iniciava: os famosos anos 90, era de ouro da televisão brasileira, período de muita experimentação e sucesso da telinha.

Foi nesse contexto, que estreou o “Programa Livre”. A atração, que visava atingir o público jovem, configurava-se dentro de um auditório com plateia, geralmente formada por jovens estudantes, era apresentada por Sérgio Groisman, uma espécie de guru de 40 anos, que entendia como ninguém o espírito da juventude dos anos 90. Durante o Programa Livre, que durava aproximadamente 60 minutos, Groisman recebia bandas famosas que fizeram história na última década do século XX. Quase todo mundo que marcou o período passou por lá: Titãs, Legião Urbana, Soweto, Mamonas Assassinas, Skank, Falamansa, Jamiroquai, Cidade Negra, Déborah Blando, Alanis Morissette, Laura Pausini, entre outros.

A atração também proporcionava alguns quadros com a participação das pessoas da plateia, a mais conhecida era o “Beijo, Abraço ou Aperto de Mão”, quando vários adolescentes se conheciam no início do programa e ficavam conversando ao longo de 50 minutos, no final, eles decidiam quais dessas interações seria a mais cabível. Com os hormônios à flor da pele, o beijo era quase inevitável. Groisman também realizava entrevistas com os músicos convidados, abrindo espaço para que a plateia tivesse liberdade de perguntar questões pessoais e curiosidades sobre a vida dos artistas.

Serginho Groisman e Dinho (Vocalista da Banda Mamonas Assassinas)

A abertura do programa era uma viagem pela cultura jovem. A câmera passeava por símbolos que faziam referências ao Yin Yang, anarquismo, axé, rock n’roll e elementos gráficos que remetiam à área urbana das cidades, onde a juventude interagia socialmente. O fim da vinheta inicial mostrava um muro pichado com os dizeres “Fala Garoto”, bordão mais conhecido do apresentador, seguido de um zoom em um outdoor com o rosto de Groisman. A voz de Serginho ecoava: “Programa”, uma mão carimbava a tela, e ele completava “Livre”.

A forma como a atração captou e se misturou ao espírito dos anos 90 foi tão eficaz e sensacional que o programa durou exatamente toda a década. Tendo seu fim decretado em 2001, dois anos após a saída de Groisman (contratado pela rede Globo) e as inúmeras tentativas fracassadas de substituir o apresentador por outros animadores.

A baixa audiência do último ano mostrava que os anos 90 foram embora, deixando um gosto nostálgico na memória dos brasileiros que foram adolescentes neste período.

O “Programa Livre” marcou época e praticamente criou a fórmula dos programas de sucesso para o público jovem brasileiro. Foi copiado inúmeras vezes por diversos canais, mas nenhum conseguiu repetir o sucesso da cultuada atração que iluminava as tardes dos adolescentes, sobretudo da classe média, ao longo dos saudosos anos 90.

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