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Do reco-reco a Cacilds: a emocionante trajetória de Mussum

Há pessoas que nunca morrem, deixam um legado tão marcante, que permanecem vivas mesmo quando já não estão mais presentes fisicamente. Mussum é uma dessas pessoas. Ator, compositor, músico e humorista, ele esbanjava talento e iluminava a todos com o seu imenso sorriso ou com o seu talento no reco-reco.

Nascido como Antônio Carlos Bernardes Gomes, em 7 de abril de 1941, foi como Mussum que ele se eternizou e, graças à internet, se tornou muito conhecido até mesmo por quem nasceu bem depois de sua morte.

Ele cresceu no Morro da Cachoeirinha, no Rio de Janeiro. Filho da empregada doméstica Malvina Bernardes, teve uma infância pobre, mas aprendeu com a mãe o valor do estudo. Analfabeta, a sua mãe lhe dizia o quanto era importante aprender a ler e ele, ainda menino, passou a ensinar também a mãe, dando a ela a oportunidade de aprender aquilo que a vida de pobreza não havia lhe permitido.

Ele se formou como ajustador mecânico em um colégio interno. Nessa época, seguia uma disciplina extremamente rígida e só via a família uma vez por mês. Trabalhou como faxineiro, cozinheiro e serviu a Força Aérea Brasileira, porém foi na música que seu talento começou a florescer. Formou com amigos o grupo “Os Sete Modernos” que, posteriormente se transformaria em “Os Originais do Samba”, fazendo grande sucesso e lhe rendendo muitas viagens e parcerias com grandes nomes como Baden Powell, Elis Regina, Elza Soares, Jair Rodrigues e Jorge Ben Jor. Mussum gravou 13 discos ao lado de seus parceiros e fez muito sucesso nos anos 1970, tocando com suas roupas coloridas e coreografias alegres.

 Além disso, era um exímio passista, se tornando um grande nome dentro da Mangueira.

Em 1965, deu os seus primeiros passos no humor, participando do programa humorístico da Rede Globo, “Bairro Feliz”. Nesse programa, ele recebeu o apelido que o eternizara. Grande Otelo passou a chamá-lo de Mussum, em referência ao muçum, um peixe escorregadio e liso. Para o ator, Antônio Carlos parecia com esse peixe, era um homem cheio de jogo de cintura, capaz de se livrar das situações mais constrangedoras.

Em suas apresentações humorísticas, conheceu Dedé Santana. Logo depois, chamou a atenção de Renato Aragão por causa de seu talento para o improviso. Em 1972, formou um trio com Dedé e Didi. Dois anos depois, a entrada de Zacarias fez com que eles formassem um quarteto e, através do programa “Os Trapalhões”, conquistassem um imenso público na TV brasileira.

Além de seu carisma e facilidade para contar causos, Mussum se destacou pelo jeito de falar, criando um dialeto próprio que até hoje é lembrado e repetido por muita gente. Enchendo a sua fala com palavras terminadas em “is”, a partir de uma sugestão de Chico Anysio, o humorista conquistou um imenso carinho e palavras como “mé”, “Cacildis”, “forevis”, “cevadis” passaram a circular na boca dos brasileiros.

Em 1977, ele deixou o grupo “Os Originais do Samba” para se dedicar apenas ao humorístico “Os Trapalhões”. A música, porém, nunca o abandonou. Fez diversas apresentações musicais no programa de humor e chegou a gravar três discos solos.

O problema cardíaco colocou fim à vida do homem de coração imenso e sorriso largo. Sua alegria, seu talento artístico, o samba no pé, a potência no reco-reco, o dialeto único, a irreverência e tantas outras qualidades que o tornaram admirado e querido por tanta gente, entretanto, seguem vivas.

Mussum é daqueles personagens que rompem épocas e fronteiras, ele foi muito além do estereótipo de “negão malandro do morro”. Em suas apresentações, espalhava alegria, subvertia a ordem e fazia rir no ritmo alegre do reco-reco que tanto dominava.

Referências:

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/7/30/cotidiano/1.html

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/06/27/biografia-de-mussum-revela-o-musico-por-tras-de-trapalhao-veja-previa.htm

BARRETO, Juliano. “Mussum Forévis – Samba, Mé e Trapalhões”. São Paulo: Leya, 2021.

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