O massacre de Waco: a destruição da seita que mostrou ao mundo os perigos do fanatismo religioso

Em 1934, Victor Houteff, um imigrante búlgaro, fundou em Waco, no Texas, Estados Unidos, a Associação Geral do Ramo Davidiano da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ele havia sido expulso da Igreja Adventista do Sétimo Dia e instalou a sua comunidade em um local que chamaram de “Monte Carmelo”.

Essa comunidade ficou conhecida como Seita Ramo Davidiana e, em 1984, passou a ser liderada por David Koresh que, como seu fundador, também havia sido expulso da Igreja Adventista.

Os davidianos não comiam carne, não fumavam, não dançavam e não assistiam a filmes. As mulheres trajavam vestidos longos e não usavam maquiagem. Eles tinham como foco de sua doutrina a ideia de se preparar para o apocalipse, diziam estarem reunidos esperando o fim do mundo. Os fiéis deveriam abandonar os seus bens materiais, as crianças não frequentavam a escola e a poligamia era permitida.

Sob a liderança de Koresh, eles diziam estar se preparando para combater os infiéis, por isso, compraram ilegalmente centenas de armas e quatro toneladas de munição.

David Koresh, líder da seita Ramo Davidiano

David Koresh foi acusado de abuso de menores e de abrigar armas de fogo nas instalações de seu culto. Em 28 de fevereiro de 1993, agentes federais tentaram entrar na fazenda apresentando um mandato de busca e apreensão. No entanto, foram recebidos com tiros. Quatro agentes morreram. No dia seguinte, teve início um cerco à propriedade de Waco.

Foram 51 dias de cerco e inúmeras tentativas de negociação. Koresh dizia aos agentes do FBI que ele era um deus e que eles deviam se ajoelhar aos seus pés. No dia 19 de abril, o cerco chegava ao fim com uma tragédia.

Helicóptero da Guarda Nacional sobrevoa a propriedade da seita

As autoridades lançaram bombas de gás lacrimogêneo e um incêndio provocou a morte de 76 membros da seita. Entre as vítimas, estavam 23 crianças e o próprio Koresh. Durante o período do cerco, outras seis pessoas já tinham sido mortas, além dos quatro agentes mortos por membros da seita.  

Somente nove pessoas conseguiram escapar do incêndio. Além disso, 21 crianças e 14 adultos haviam sido liberados por David Koresh no início do confronto.

Fogo destrói a sede da seita

Há controvérsias sobre o que realmente aconteceu naquele dia. A operação era formada por cerca de 900 agentes e contava com helicópteros e tanques de guerra. Conforme as investigações, o incêndio foi provocado por David Koresh, no intuito de produzir o final apocalíptico pregado por sua seita. A maneira como o FBI conduziu as negociações é alvo de várias críticas, pois, segundo aqueles que discordam da ação, havia fortes indícios de que ela terminaria em tragédia e o FBI deveria ter agido de forma a evitá-la.

Policiais fazem a perícia do local

No local onde tudo aconteceu, ainda é possível encontrar vestígios das ruínas. No lugar da antiga residência, foi construído um prédio utilizado para os cultos e também para receber turistas. Segundo um dos guias que conduz os visitantes, o que aconteceu ali foi o cumprimento de uma profecia. O atual pastor, Charles J. Pace, tenta recuperar as origens do movimento davidiano e afirma que Koresh foi um instrumento divino para regenerar a fé e erradicar o pecado.

Referências:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/04/rancho-em-waco-no-texas-ressurge-em-20o-aniversario-de-massacre.html

https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2018-04-20-os-maiores-massacres-religiosos-25-anos-apos-tragedia-em-waco/

https://veja.abril.com.br/blog/veja-recomenda/waco-uma-seita-apocaliptica-contra-o-fbi/

Imagens: Acervo O Globo: https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/massacre-de-waco-fanatismo-22427448

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