O inimigo do meu inimigo: como os EUA se aliaram à máfia italiana para combater o fascismo

Quando Mussolini subiu ao poder na Itália, um de seus motes como líder fascista era extinguir a máfia no país. Essas organizações criminosas não eram apenas grupos fora da lei, elas também faziam papel de repressão e organização social em pequenas e médias regiões do país europeu.

Ao assumir o governo, o líder italiano passou a perseguir, a executar e a prender membros mafiosos. O que causou uma repulsa tão grande nos criminosos que chegaram a cogitar uma aliança com os comunistas, os quais também odiavam. Inclusive, nesse período, em fins dos anos 20, o fluxo migratório de italianos para a América voltou a aumentar. Junto com esses imigrantes, vieram novos membros mafiosos que reforçaram as organizações que já existiam no continente.

No período, o gangster mais famoso dos EUA era Charles “Luck” Luciano, um ítalo-americano que se tornou um dos mafiosos mais poderosos da história. A organização de Luck controlava políticos, juízes, cassinos e outros negócios em Nova York, a maior megalópole do país.

Luck Luciano

Nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial, a inteligência norte-americana identificou que havia espiões italianos e alemães no porto de Nova York. Sem ter acesso aos indivíduos e sem ter sucesso no combate às ações de espionagem, a Marinha americana perdeu um de seus maiores navios cargueiros. Luck Luciano, que tinha uma rede de informações invejável, enviou um recado a um alto funcionário do governo americano, oferecendo seus contatos para encontrar os espiões. O governo americano, percebendo que poderia obter uma boa ajuda do criminoso, aceitou a proposta de bom grado.

Nascia ali, naquele momento, a “Operação Submundo”, uma dobradinha entre a máfia e governo.

USS Normandia

Então, Luck Luciano colocou toda a força de sua organização criminosa em favor da descoberta dos mafiosos. Com contatos na Itália e em praticamente todos os estados americanos, enviou seus homens ao Porto e conseguiu descobrir ao menos 60 espiões.

Alguns deles eram interrogados e exterminados pela própria máfia. Com o ódio desenvolvido pelos fascistas, os criminosos conseguiam, através de tortura física e psicológica, tirar informações de espiões muito bem preparados para enrolar e se calar diante de qualquer situação.

A ação dos mafiosos também foi bastante importante para extrair informações que facilitaram a invasão da Itália, facilitando a construção de mapas e estratégias militares, já que a ocupação do território italiano foi realizada pela Sicília, região tradicional e berço da máfia.

Ao fim do conflito, Luck Luciano foi solto e perdoado pela justiça americana pelos serviços prestados, tendo se livrado de uma pena de 30 anos.

Referências:

https://www.nbcnews.com/slideshow/amp/9-who-ruled-u-s-underworld-41178954

https://warfarehistorynetwork.com/2017/01/13/

https://themobmuseum.org/blog/the-mystery-of-lucky-lucianos-invaluable

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