Ilustre Desconhecido: O clássico brasileiro, conhecido internacionalmente, que você precisa conhecer

“O Assalto ao Trem Pagador”, produzido e dirigido por Roberto Farias, em 1962, é um daqueles filmes eletrizantes, bem feitos, competente, com uma identidade nacional e que discute, através de sua trama, a desigualdade social, a vida nas favelas e a ganância humana frente ao dinheiro. Acha profundo? E é tudo isso mesmo.

A história é baseada em um assalto ocorrido em 1960, na Estação Japeri, Rio de Janeiro. O crime foi tão bem arquitetado que a polícia demorou para admitir que poderia ter sido cometido por alguma quadrilha brasileira.

Grilo é um inteligente criminoso da cidade, que diz trabalhar para um chefão que chama de “Engenheiro” e, com isso, convence Tião Medonho e outros bandidos da favela a praticarem um roubo a um trem de pagamentos.

Os bandidos combinam de não gastarem o dinheiro roubado antes de 1 ano, pois isso levantaria suspeitas e atrairia a polícia para o local. Mas Grilo acha que ele pode, pois não é favelado e tem boa aparência, o que desperta a ira dos demais. Grilo, então, diz que o Engenheiro preparou um novo golpe, porém a sua intenção é se livrar de Tião Medonho e dos outros, fazendo com que eles caiam numa armadilha. O conflito entre a favela e o asfalto, a pobreza e a riqueza se transformam no fio condutor do filme, pois os membros da quadrilha passam a brigar poderem gastar o dinheiro, já que, com exceção do Grilo, todos os outros passam necessidade.

Tião é o bandido mais influente de um morro carioca, todos na localidade têm medo e respeito por ele. Negro e pobre, é através dos olhos dele que observamos a terrível vida dos moradores de comunidade na década de 60. Seus companheiros de crime também são moradores do local, exceto Grilo, o mentor intelectual do grupo, um homem da zona sul que não levanta suspeita da polícia por ser branco e rico. Após o assalto, realizado com muito sucesso começa realmente o conflito da trama, pois é muito difícil manter o acordo de não gastar o dinheiro. E é nessa linha que o filme vai ganhando traços grandiosos: dinheiro, ganância, poder, necessidade, racismo e desigualdade social se juntam em uma bela narrativa.

Há que se registrar palmas também para Cachaça, personagem vivido pelo maravilhoso Grande Otelo. No filme, ele é um alcoólatra, desses que ficam na porta de boteco falando verdades pra todo mundo. Depois de participar do assalto, por ser conhecido de Tião Galinha, o personagem de Otelo passa a ser uma espécie de Bobo da Corte, falando as verdades que todo mundo deve ouvir, mas lubrificado por muita pinga e descrédito.

Temos, ainda, uma cena que pode ser considerada um dos melhores diálogos sobre racismo na história do cinema brasileiro. Em um determinado momento da trama, um membro da quadrilha está prestes a ser executado pelos comparsas por ter gastado o dinheiro e quebrado o pacto que fizeram. O condenado é branco e resolve expor todo seu racismo na cara de Tião Medonho minutos antes da morte. A tensão da cena nos joga em dois caminhos. Repudiar a violência do ato de matar ou a fala do racista. À primeira vista, achamos a morte do homem injusta, depois dos xingamentos racistas proferidos, passamos a não ligar mais para a execução do meliante.

Filmaço!

Tem no YouTube em boa qualidade de som e imagem.

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