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De motorista de caminhão a mártir da luta contra o racismo: A história de George Floyd

Para a pequena Gianna, de 6 anos, George Floyd é o “homem que mudou o mundo”. Morto no dia 25 de maio de 2020, Floyd foi mais uma vítima do racismo e da violência policial que marcam os Estados Unidos.

Suas últimas palavras, “eu não consigo respirar”, ecoaram pelo mundo e desencadearam uma série de protestos contra mais um assassinato de um homem negro. Nos Estados Unidos, esses protestos foram encabeçados pelo movimento “Black Lives Matter” e deixaram claro que não se pode mais naturalizar o fato de que corpos negros são agredidos e mortos com uma frequência inaceitável. Vidas negras são ceifadas todos os dias e essas mortes não podem apenas virar estatística. É preciso olhar para a história desses indivíduos, lutar para que outros não sejam mortos e gritar seus nomes para que eles não sejam apagados com o tempo.

George Floyd tinha 46 anos, era pai de três filhos, já tinha trabalhado como motorista de caminhão e segurança de restaurante, foi integrante de um grupo de hip hop e cumpriu pena de cinco anos por assalto à mão armada.

Depois de pagar o seu débito com a justiça, Floyd decidiu recomeçar a vida. Era visto por todos como um homem gentil, carinhoso e de bom coração. Mas ele foi morto sob o asfalto de Minneapolis antes que pudesse ter tido a chance de encontrar um novo emprego e se estabilizar.

Acusado de ter passado uma nota falsa de 20 dólares em uma loja de conveniência em Minneapolis, George Floyd foi detido pela polícia quando estava em um carro com mais duas pessoas. Levado para a viatura, ele caiu no chão e foi imobilizado pelo policial Derek Chauvin.

Chauvin prensou o seu pescoço no chão por cerca de nove minutos. Floyd foi perdendo o ar e, mesmo dizendo que não conseguia respirar, não se livrou do seu algoz. George Floyd parou de se mexer, mas o policial permaneceu com o joelho em seu pescoço até a chegada da ambulância. Levado para o hospital, ele foi declarado morto logo em seguida.

Toda a ação foi gravada em vídeo. As imagens circularam por diferentes países e causaram indignação. O choro e os gemidos de Floyd, seus apelos afirmando que não conseguia respirar e a insistência do policial em seguir torturando-o serviram de estopim para uma série de manifestações nos Estados Unidos e em diversos outros países.

Conforme Conceição Evaristo, em seu poema “Certidão de óbito”, “A bala não erra o alvo, no escuro / um corpo negro bambeia e dança. / A certidão de óbito, os antigos sabem, /veio lavrada desde os negreiros”. Um dia é uma bala perdida, outro dia é uma suspeita levantada, outro dia é uma agressão, outro, é o suplício da asfixia, o fato é que “a morte é certa”, “a terra está coberta de valas”, como diz a poeta e, as notícias que não param de anunciar mortes de homens e mulheres negras, confirmam cada palavra.

Para a pequena Geanne, seu pai mudou o mundo porque a sua morte provocou uma mobilização que ela jamais tinha visto em seus poucos anos. 11 meses depois da morte de Floyd, a Justiça anunciou a condenação do policial que tirou a sua vida. Ainda não foi divulgada a pena, no entanto, a decisão já é bastante simbólica, pois o assassinato de jovens negros é muito comum nos Estados Unidos. Sendo assim, ver um desses assassinos condenados traz uma pequena vitória para os movimentos antirracistas e contra a violência policial.

Os outros três policiais envolvidos na abordagem, Thomas Lane, J. Alexander Kueng e Tou Thao, foram indiciados como cúmplices de homicídio e aguardam julgamento. Enquanto isso, o nome de George Floyd é lembrado em projetos de lei que proíbem táticas policiais violentas e facilitam ações judiciais contra agentes que violarem os direitos dos suspeitos.

O nome de George Floyd, suas últimas palavras, a cena da agonia que marcou seus últimos minutos de vida, tudo isso se tornou extremamente simbólico, provocou grandes revoltas e a mobilização de diferentes setores da sociedade. Casos como o dele, entretanto, continuam acontecendo. Apesar da indignação que causa, o crime cometido por esses policiais não é um fato isolado. A imagem que percorreu o mundo é uma cena comum das muitas violências que marcam a vida daqueles que historicamente são oprimidos por causa do tom da sua pele. George Floyd é um exemplo de mais uma vida que se esvai em meio à naturalização do racismo e da opressão que transformam o corpo negro em um alvo e decreta por antecipação a sua certidão de óbito.

Referências:

https://noticias.uol.com.br/reportagens-especiais/george-floyd-como-negro-morto-pela-policia-inspira-hoje-luta-antirracista/

https://www.nbcnews.com/george-floyd-death

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/04/ex-policial-derek-chauvin-e-condenado-pela-morte-de-george-floyd.shtml

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