A personificação da bondade: a linda história de Padre Júlio Lancelotti

Júlio Renato Lancellotti nasceu em São Paulo no dia 27 de dezembro de 1948. Filho de um comerciante e de uma dona de casa, ele passou a infância brincando com os irmãos e ajudando na limpeza da mercearia do pai.

Desde cedo, recebeu educação religiosa. Aos 12 anos, foi estudar em um seminário de Araraquara. Ali, recebeu um rígido tratamento, chegando a apanhar e a ser humilhado diante dos colegas. Acabou abandonando o seminário e concluindo o ginásio em uma escola de padres agostinianos.

Em São Paulo, voltou ao seminário, chegando a ser frade e concluindo um curso de auxiliar de enfermagem na Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista. Aos 19 anos, contrariado com o autoritarismo praticado no seminário, abandonou a vida religiosa e passou a trabalhar em hospitais.

Lancellotti concluiu o curso de Pedagogia nas Faculdades Oswaldo Cruz e cursou uma especialização na PUC-SP. Atuou como professor e trabalhou no Serviço Social de Menores e no Centro de Apoio ao Imigrante no Brás.

No ano de 1980, estabeleceu uma relação de amizade com Dom Luciano Mendes de Almeida e juntos fundaram a Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo.   

Estudou Teologia e, em 1985, foi ordenado padre por Dom Luciano. Desde então, se tornou conhecido pelo intenso trabalho social que realiza com a população em situação de rua da cidade de São Paulo.

Padre Júlio Lancellotti pautou toda a sua carreira religiosa na busca da humanização daqueles que vivem à margem da sociedade.

Atuando como vigário episcopal para a população de rua da Arquidiocese de São Paulo, ele afirma que tudo o que faz é em nome da Igreja. Seu trabalho, porém, desperta a ira de muita gente, que acha que ele não tem uma postura adequada para um padre.

Em 2007, ele enfrentou uma acusação de pedofilia. Um ex-detento da antiga Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (Febem) o acusara de tê-lo molestado. Lancellotti teve a sua vida vasculhada pela polícia e pelo Ministério Público, mas foi inocentado em 2011.

O episódio lhe custou uma intensa perseguição da imprensa, de políticos e de religiosos da igreja católica e de outras igrejas, chegando a necessitar de proteção policial.

Mesmo com todas as críticas e falsas acusações que enfrentou, seguiu firme em sua luta em defesa dos mais vulneráveis, levando alimentos, roupas, produtos de higiene e buscando abrigo para pessoas em situação de rua.

Além de sua atuação à frente da Pastoral da Rua em São Paulo, foi um dos fundadores da Casa Vida, cuidando de crianças soropositivas. Para ele, as populações que atende são pessoas “descartadas” da sociedade e trazer-lhes dignidade e acesso aos seus direitos básicos é fundamental.

Padre Júlio Lancellotti tem feito uso das redes sociais para divulgar suas ações e posicionar-se em relação à desigualdade que marca o país.

Durante a pandemia, a sua luta incansável em prol da população que vive nas ruas tem sido essencial. Ele se mobilizou até mesmo para cadastrar essas pessoas no auxílio emergencial e agora tem encampado a luta para que os maiores de 60 anos sejam vacinados.

A imagem de Padre Júlio Lancellotti quebrando a marretadas pedras que foram colocadas na parte inferior de viadutos de São Paulo tornou-se icônica e pode ser tomada como um símbolo de sua trajetória. Lancellotti segue quebrando as muitas pedras que marcam a vida de uma população que vive excluída, sendo tratada como invisível e abandonada à própria sorte.

O seu trabalho incansável incomoda aqueles que acham que essa população deve  continuar na invisibilidade e faz com que a sua vida seja ameaçada, no entanto, ele segue firme, defendendo que apenas a resistência e o diálogo serão capazes de trazer alguma dignidade para quem tem a história marcada pelo abandono e pelo descaso.  

Referências:

https://www.nsctotal.com.br/noticias/julio-lancellotti-e-o-verdadeiro-sentido-de-fraternidade

https://brasil.elpais.com/brasil/2020-09-20/padre-julio-lancellotti-nao-se-humaniza-a-vida-numa-sociedade-como-a-nossa-sem-conflito.html

https://revistatrip.uol.com.br/trip-fm/padre-julio-lancellotti-existe-uma-desumanizacao-acelerada

https://www.unifesp.br/reitoria/dci/edicoes-anteriores-entreteses/item/2577-estou-do-lado-que-jesus-queria-que-eu-estivesse

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