Nazista amigo: quem foi Klaus Barbie, o homem que ensinou a CIA a torturar pessoas

Klaus Altmann Hansen nasceu em Bad Godesberg, na Alemanha, em 1913. Filho de professores, ele teve uma infância bastante rígida e cercada de ódio pela França, pois seu pai tinha lutado na Primeira Guerra Mundial e o ensinou a detestar os franceses.

Depois da morte do pai, ele se juntou ao Partido Nacional Socialista, unindo-se à SS em 1933, onde ficou conhecido como Klaus Barbie. Após a invasão da França, em 1941, Klaus assumiu um posto de comando na cidade francesa de Lyon. Foram as suas ações nessa cidade que lhe deram a alcunha de “Açougueiro de Lyon”. Durante o período em que esteve ali, ele praticou diversas crueldades, sendo o responsável pela tortura e morte de Jean Moulin, um dos líderes da resistência francesa e pela deportação de 4 mil judeus para campos de concentração. Além disso, enviou 44 crianças órfãs para as câmaras de gás de Auschwitz.  

Usando práticas de tortura realizadas com chicotes e cassetetes, Barbie não hesitava em praticar atrocidades contra as suas vítimas. Objetos para eletrocussão, fornos e até cães estavam em seu arsenal de crueldade. Frequentemente, Klaus arrancava as unhas dos torturados, injetava agulhas em seus corpos e quebrava os ossos das pernas e braços de suas vítimas.

Com o final da Segunda Guerra Mundial, ele conseguiu se safar dos Julgamentos de Nuremberg e acabou se tornando espião do Serviço de Inteligência dos Estados Unidos. Enviado para a Bolívia, assumiu uma nova identidade e passou a treinar grupos paramilitares. Além disso, se envolveu no comércio de pasta de cocaína, estabelecendo relações comerciais com narcotraficantes, inclusive com Pablo Escobar.

Em uma de suas missões, chegou a rastrear Che Guevara e a ajudar a CIA a encontrá-lo em solo boliviano.  

Sob o argumento de que era preciso combater a ameaça comunista, os Estados Unidos recrutaram um homem acusado de cometer 4.342 assassinatos, deportar 7.591 judeus para a Alemanha e prender 14.311 franceses ligados à Resistência.

Mesmo com solicitações formais da França para que Barbie fosse extraditado e respondesse por seus crimes, o governo americano negou que tivesse conhecimento de sua localização e passou a contar com a ajuda do torturador nazista para evitar a propagação do comunismo na América do Sul.

Prestando serviço à CIA, Klaus Barbie se destacou no comando de uma série de golpes militares patrocinados pelo governo americano, tornando-se um dos principais responsáveis pela tortura e morte daqueles que se opunham ao governo militar da Bolívia.

Fazendo uso do dinheiro da venda de drogas, ele ajudou a criar o grupo “Noivos da Morte”, que usava o dinheiro das drogas para financiar o golpe militar. O grupo era formado por europeus, que trajavam um uniforme com a suástica e buscavam implantar uma espécie de regime nazista no território da Bolívia.

Em 1983, ele foi finalmente deportado para a França. Isso só aconteceu porque a ditadura boliviana chegava ao fim e, em 1972, ele havia sido localizado pelo casal de caçadores de nazistas Serge e Beate Klarsfeld, que não mediram esforços para que Barbie pudesse pagar por seus crimes.

Extraditado em 1983, ele só foi julgado em 1987 e condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Durante seu julgamento, Klaus Barbie alegou não ter motivos para ter nenhum arrependimento e não demonstrou nenhum tipo de culpa pelas atrocidades que cometera. Ele morreu em um hospital penitenciário em setembro de 1991, em decorrência de uma leucemia, deixando uma longa trilha de corpos em seu percurso como SS nazista e como espião patrocinado pela CIA.

Referências:

https://istoe.com.br/franca-abrira-arquivos-do-julgamento-klaus-barbie-30-anos-depois/

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-45790427

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1911200003.htm

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/17/eps/1571328498_614407.html

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