“Evidências”: A história da música mais cantada do país

Tocada todos os dias nos karaokês da vida, nas casas, apartamentos, chácaras e até em metrôs, “Evidências” é uma das canções mais contagiantes da história do Brasil

“Quando eu digo que deixei de te amar /É porque eu te amo/ Quando eu digo que não quero mais você/ É porque eu te quero”. Se você vive no Brasil, não importa o tipo de música de que goste, certamente já ouviu esses versos e é bem capaz de guardar em algum canto da memória a letra inteira dessa canção, que se tornou um clássico em nosso país.    


Composta em 1989, por José Augusto e Paulo Sérgio Valle, “Evidências” ganhou projeção nacional ao ser gravada pela dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó em seu álbum “Cowboy do asfalto”, de 1990. Nesses 30 anos, ela alcançou um sucesso imenso, ocupando as primeiras posições nas paradas de sucesso, sendo regravada por diversos outros artistas, tocada à exaustão em karaokês, interpretada em diversas janelas durante a pandemia, cantada em restaurantes universitários e metrôs e sendo lembrada como um exemplo bem sucedido de música brasileira.   

 

Uma mulher começou a cantar “Evidências” no metrô de São Paulo e não teve um que resistiu à cantoria


Figurando como um clássico da canção popular romântica, “Evidências” tem uma letra que apresenta um eu-lírico lidando com as contradições provocadas por seus sentimentos. Ele tenta não se entregar completamente ao amor que sente, mas percebe que, ao negar esse amor vai, justamente, reafirmando o sentimento que o consome, sendo impossível disfarçar as evidências ou enganar um coração que já está tomado pelo sentimento amoroso. Assim, esse eu-lírico apaixonado se rende ao que sente e conclui sua declaração, apresentando a sua rendição: “Chega de mentiras/ De negar o meu desejo/ Eu te quero mais que tudo/ Eu preciso do seu beijo”.  


Mas a que se deve tanto sucesso, se temos tantas outras músicas românticas marcadas por declarações de amor? Chitãozinho & Xororó certamente têm uma grande contribuição nisso. Quando o disco “Cowboy do asfalto” foi lançado, a dupla já tinha uma carreira consagrada, mesmo percebendo que “Evidências” não tinha um refrão chiclete, como é recorrente em muitas de suas canções, os irmãos decidiram apostar na canção e foram muito bem sucedidos em sua aposta.           

Capa do disco “Cowboy do asfalto”


Além do apelo emocional presente em cada verso da letra, a intensidade com que a dupla sertaneja a interpreta faz com que o público embarque na onda de sentimentalismo que a permeia e esse é um dos motivos que faz com que, 30 anos depois, “Evidências” continue sendo lembrada e muito tocada nos diferentes cantos do país.


Ao tratar de uma de suas mais famosas criações, José Augusto e Paulo Sérgio Valle lembram que não tinham a menor ideia de que a música alcançaria tamanha projeção. Na primeira reunião em que foi apresentada, as pessoas que tomaram contato com a letra disseram que era complicada demais, que jamais faria sucesso. Somente Michael Sullivan achou que poderia despertar algum interesse e a apresentou ao seu irmão, Leonardo Sullivan, o qual a gravou em um disco de 1989. Mas foi com a gravação de Chitãozinho & Xororó que a canção alcançou realmente o sucesso e se tornou um importante marco dentro da música sertaneja, contribuindo para a consolidação e popularização desse gênero musical.

Chitãozinho & Xororó cantam “Evidências” no SBT

Mesmo quem não gosta de música sertaneja, pode ser pego cantando “Evidências”, hit que embala muitas reuniões sociais e que parece ter o mesmo efeito do que diz a letra, quanto mais a gente se afasta e se defende de “Evidências”, mais se entrega, quando ela começa a ser entoada, é difícil não seguir cantando ou se lembrar das muitas vezes em que esses versos foram repetidos por aí, seguindo inseparáveis de nossas vidas.

Referências:
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/06/09/interna_diversao_arte,761125/a-historia-da-musica-evidencias.shtml?fbclid=IwAR1b2uPAEkRzET4DqDy3V4sVXkiasZEaz2Oy49Ty5NIQHc5tImCtEmJ7-EY

https://oglobo.globo.com/cultura/como-evidencias-de-chitaozinho-xororo-virou-classico-alem-do-sertanejo-hit-de-karaokes-24686863?fbclid=IwAR0xf45AwWJWEWyKyHEVxa5202Z48FrxQqDnIS-M5RQE8RpTyBvLFKxFzUE

https://oglobo.globo.com/cultura/article24687528.ece?fbclid=IwAR3xM8UvD6d6AC-_fzKVkOfEE8XWU7qG7OasYOs92FWBT-7nPFsiEic4XB4

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