Pó, sexo e goró forte: a vida de Bozo, o palhaço mais louco da TV

O palhaço Bozo foi uma invenção dos norte-americanos em 1946. O palhaço iniciou sua vida no entretenimento através da gravação de discos que contavam histórias infantis. Com a chegada da era da televisão, ele passou a aparecer na TV, até explodir para o sucesso mundial na década de 1970.

Foi no final desse período que a atração chegou ao Brasil e a outros 40 países.

Aqui, a primeira versão de Bozo para a TV foi interpretada por Wandeko Pipoca. Escolhido pelo magnata americano responsável pela implementação do programa na América do Sul. A emissora responsável por trazer a atração foi o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), de propriedade de Silvio Santos.

Ao longo dos anos, vários atores interpretaram o famoso palhaço. O mais famoso deles, porém, e que protagonizou o auge da atração, foi Arlindo Barreto, um ator da época das pornochanchadas (filmes brasileiros que misturavam comédia e sexo). Arlindo passou no teste para interpretar Bozo e acabou adaptando o palhaço para a cultura brasileira ao inserir falas politicamente incorretas em um programa de crianças e ao incorporar trejeitos que deixavam o palhaço mais próximo do público.

Foi através da performance de Barreto que o programa inseriu ligações telefônicas, criando uma maior empatia e participação da plateia e espectadores.

Barreto relata em seu testemunho e em um livro que, durante os programas, lhe batiam inspirações, as quais faziam com que a sua busca por loucura aumentasse. Muitas vezes, louco de bebida e outros “aditivos”, ele ensaiava o roteiro e inventava coisas novas e isso contribuía para a maluquice que era a atração.

Arlindo tinha um contrato em que não podia dizer que era o Intérprete do palhaço, o que causava frustração, pois o ator não podia desfrutar da fama.

Quando saía da gravação, Barreto cheirava, tomava muita bebida e levava uma vida totalmente desregrada, marcada por vários namoros e muito sexo com celebridades e subcelebridades, o que influenciou, significativamente, o seu personagem.

Ele ficou como Bozo de 1982 a 1987, no período, viveu grandes loucuras, mesclando a vida pessoal com o personagem. Nos dois anos finais da saga de Barreto, o palhaço já era considerado tão louco em tela, que pessoas ligavam para passar trote, o personagem também respondia xingando e tudo foi virando uma grande bagunça.

Todas essas singularidades fizeram com que a atração fosse considerada uma das experiências mais marcantes e politicamente incorretas da história do entretenimento brasileiro.

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