O caso Rafael Braga – uma assustadora história de injustiça no Brasil

Rafael Braga, o homem que foi preso com produtos de limpeza e acusado de carregar ingredientes para fazer Coquetel Molotov, mostra como nosso país é seletivo quando se trata de cometer injustiças.

Rafael, pobre, preto e em situação de rua, foi mais uma vítima do sistema policial e judicial brasileiro . Sua história chega a causar repulsa em qualquer pessoa que tenha um pouco de ética e moralidade em suas ações.

Rafael Braga, catador de reciclagem, foi o único preso durante as manifestações de 2013. Aquelas que convulsionaram o país. Na cidade do Rio de Janeiro, Rafael foi preso, acusado de carregar produtos para produção de artefatos explosivos (porte ilegal de artefato incendiário). Braga foi detido por policiais civis próximo à Central do Brasil. Segundo os autores da prisão, o ele portava flanelas e produtos com alto teor inflamável, materiais que, segundo a acusação, poderiam ser usados para a produção de coquetéis molotoves que seriam usados nos protestos daquele ano.

Manifestações a favor da soltura de Rafael

Intrigados com o caso, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro e organizações dos Direitos Humanos passaram a acompanhar e comprovaram que Braga carregava na mochila Pinho Sol e Água Sanitária, elementos que dificilmente conseguiriam efetivar a produção de uma bomba.

Rafael atrás das grades

O resultado da perícia, realizada pelo Corpo de Bombeiros, atestou que era impossível que essa mistura gerasse qualquer elemento incendiário ou explosivo. Rafael passou meses na prisão e conseguiu ser solto, após tirar uma foto:

Foi preso novamente e acusado de tráfico de drogas por portar 0,6 gramas de maconha, isso mesmo, é essa quantidade aí.

Após muitos dias de luta, a defensoria pública, ONGs e mobilizações populares conseguiram, através de pressão, a revogação da prisão de Braga. E ele finalmente pôde ir para seu lar.

O caso de Rafael Braga, que atualmente se enquadraria como terrorismo, ficou conhecido mundialmente como uma das prisões mais estranhas e arbitrárias do período pós Ditadura Militar, e comprovou, para muita gente, como funciona a seletividade da justiça brasileira.

Foto – Instituto Humanitas Unisinos / Renata Neder / TIB

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