A história de como a ditadura torturou e violou direitos da primeira mulher trans brasileira

A história de tortura e violações de direitos protagonizada pelo Estado brasileiro, contra a primeira mulher trans brasileira a se submeter à cirurgia de mudança de sexo no país.

Ficha do IML de Waldirene, primeira pessoa trans no Brasil a ser submetida à cirurgia de adequação sexual.

Waldirene, antes chamada de Waldir Nogueira, participou de pesquisas no Hospital das Clínicas de São Paulo, no início dos anos 70. Ao longo da convivência com os médicos, conseguiu realizar o sonho da sua vida: se tornar uma mulher fisicamente, através da cirurgia de mudança de sexo.

O responsável pela retirada dos órgãos genitais foi o famoso cirurgião plástico Roberto Farina, referência em cirurgia plástica na época.

Após cirurgia, o governo brasileiro pressionou as autoridades policiais e judiciárias para coibir e tomar providências, visando evitar que o sucesso do processo cirúrgico fosse divulgado. O medo dos militares era de que a “moda” pegasse entre adolescentes e mais pessoas resolvessem mudar de sexo.

Waldirene foi presa e levada ao Instituto médico Legal para averiguações, lá ficou nua e passou por terríveis constrangimentos: objetos foram inseridos em suas partes íntimas e soldados acompanharam a averiguação do seu corpo nu, além de ouvir xingamentos como “monstro!” “bichinha” “aberração” . Durante a caçada a Waldirene, os agentes da repressão recolheram toda a documentação referente à cirurgia e acusaram a moça e o médico de atentar contra a integridade física, mutilando permanentemente partes do corpo. O médico responsável pela cirurgia chegou a ser preso por alguns dias e quase teve a carreira destruída.

Referências:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-43561187

https://g1.globo.com/…/monstro-prostituta-bichinha-como…

https://www.uol.com.br/…/quem-foi-o-medico-condenado…

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