O passado antifascista da Bruxa do 71

Dona Clotilde, como ficou conhecida no seriado Chaves, ostenta em seu passado uma corajosa luta contra o Fascismo e a Ditadura de Franco na Espanha

            Quem nunca se pegou imaginando que segredos estariam escondidos na casa da Bruxa do 71? Ou que tipo de bruxaria faria a dona Clotilde enquanto apreciava a companhia do seu bichinho de estimação Satanás?

Foto do cachorrinho Satanás.

            Se no seriado Chaves, dona Clotilde era apenas uma senhora obcecada por seu Madruga e que despertava medo nas crianças da vila, na vida real, a atriz Angelines Fernández, a qual deu vida à famosa personagem, tem uma história fascinante.

            Angelines nasceu em Madrid, em 9 de julho de 1922. Ainda adolescente, viu seu país mergulhar na Guerra Civil Espanhola e, em 1939, mesmo com o fim oficial do conflito, acompanhou o surgimento de movimentos de resistência ao governo, através dos quais anarquistas, socialistas e comunistas se uniram para continuar o combate contra os exércitos do governo.

Raras imagens de Angelines Fernández no início de sua carreira, na década de 1950

           Aos 17 anos, Angelines Fernández iniciou sua carreira como atriz, fazendo parte da comédia musical “Carlo Monte en Monte Carlo”. Nessa mesma época, indignada com a miséria que assolava o povo espanhol e com o avanço do fascismo, juntou-se aos guerrilheiros para combater a ditadura do general Francisco Franco, chegando até mesmo a pegar em armas e integrar diversas ações de grupos revolucionários.

Angelines Fernández com uma arma nas mãos.

            Aos 25 anos, procurada pelas autoridades e correndo risco de perder a vida, Angeline partiu para o México com a intenção de se exilar no país, no entanto, o seu asilo foi negado e ela passou a viver em Cuba, onde também atuou como atriz e sua carreira começou a florescer.

            Algum tempo depois, retornou ao México e se tornou uma das maiores estrelas do cinema mexicano, jamais retornando à Espanha, nem mesmo após o fim da ditadura franquista. Foi no México que ela alcançou o estrelato, atuando em peças de teatro e filmes protagonizados por Cantinflas, um dos mais renomados atores da época. Mas foi com a sua entrada no seriado Chaves, em 1972, que Angelines viu seu nome eternizado e seu passado de guerrilheira acabou não sendo do conhecimento de muitos de seus fãs.

Chesperito e seu elenco na década de 1970

          No entanto, esse passado sempre esteve presente na vida da atriz, fazendo com que ela sentisse muita falta de sua família na Espanha e tivesse que lidar com a depressão durante grande parte de sua vida, doença que se agravou ainda mais com a morte de Ramón Valdés, ator que interpretava o personagem Seu Madruga. Valdés era seu amigo pessoal e foi o responsável por sua indicação para a participação no seriado Chaves, o qual lhe permitiu alcançar a maior fama de sua carreira.

Angelines Fernández, Héctor Bonilla, Chespirito e Florinda Meza nos bastidores do episódio “Um astro cai na Vila” de 1979.

            Angelines Fernández faleceu aos 71 anos, em 25 de março de 1994, em decorrência de um câncer no pulmão, deixando como legado não só sua personagem dona Clotilde, como uma história de luta que marcou toda a sua juventude e fez com que ela tivesse participação em grupos sindicalistas, feministas, republicanos e democráticos e se envolvesse ativamente no combate ao regime fascista que se instaurava em seu país.

Referências:

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-biografia-angelines-fernandez-chaves-bruxa-do-71-foi-guerrilheira-espanhola.phtml. Acesso em: 25/01/2020.

https://revistamonet.globo.com/Series/noticia/2019/04/juventude-da-atriz-que-fez-bruxa-do-71-de-chaves-como-guerrilheira-tem-detalhes-revelados-por-revista.html. Acesso em: 25/01/2020.

https://mdemulher.abril.com.br/cultura/a-surpreendente-historia-de-vida-da-atriz-que-viveu-a-bruxa-do-71/Acesso em: 25/01/2020.

https://emais.estadao.com.br/fotos/tv,dona-clotilde-angelines-fernandez,1027674. Acesso em: 25/01/2020.

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