O Pagador de Promessas: o filme que você precisa ver, para entender o Brasil

“O Pagador de Promessas”, produção brasileira, de 1962, vencedora da Palma de Ouro em Cannes.

O longa trabalha questões como intolerância religiosa, sincretismo cultural e sensacionalismo midiático.

Zé do Burro(Leonardo Villar) é um homem humilde que enfrenta a intransigência da Igreja católica ao tentar cumprir a promessa feita em um terreiro de candomblé de carregar uma pesada cruz de madeira por um longo percurso até o altar.

Zé é o dono de um pequeno pedaço de terra no interior da Bahia. Seu melhor amigo é um burro chamado Nicolau. Quando este adoece e não se consegue fazer nada para que o animal melhore, ele faz uma promessa a uma mãe de santo do candomblé: se seu burro se recuperar, promete dividir sua terra igualmente entre os mais pobres e carregará uma cruz desde sua terra até a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, onde a oferecerá ao padre local. Assim que seu burro se recupera, Zé dá início à sua jornada.

Ao chegar ao local de devoção, Zé do Burro é impedido de entrar na igreja, a partir desse fato, um conjunto de interesses de vários setores sociais começam a vir à tona.

A mídia, na figura de um repórter inescrupuloso, acusa Zé de apoiar a reforma agrária(comunista).

Pais de santos acusam o padre da igreja de intolerância religiosa

A igreja católica oferece resistência contra o sincretismo religioso, já que Zé do Burro fez a promessa em um terreiro e completará ela dentro de uma igreja católica(uma mistura típica da cultura brasileira).

O que era apenas um cumprimento de promessa, se torna uma guerra de narrativas misturada à paranóia coletiva. Em um determinado momento parece que estamos dentro das redes sociais atuais. Dada às proporções das polêmicas.

As diferentes reviravoltas, opiniões e tomadas de lado mostradas pelo longa. As várias versões sobre o mesmo fato, defendidas por cada um dos personagens e os estamentos e instituições que eles representam poderia muito bem se encaixar em um assunto de trend topic de Twitter. As características são as mesmas. Cada espectro político puxa para o seu lado, a mídia informa desinformado e todo mundo tenta cancelar ou apoiar o protagonista.

No elenco estão figuras monumentais, como: Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio Azevedo, Norma Bengell
Geraldo Del Rey

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