Crinolina: a moda do século XIX que provocou a morte de mulheres

Ao longo do tempo, o ideal de beleza feminina passou por uma série de transformações tanto no que se refere às vestimentas, quanto ao que é considerado um corpo belo. Atualmente, há um forte movimento que busca romper com a ideia de padrão de beleza e que defende a beleza feminina justamente em sua diversidade, mas até se chegar a esse ponto, muitos foram os padrões impostos e as transformações no modo de se vestir feminino.

No século XIX, a moda era o busto levantado, a cintura extremamente apertada por espartilhos e os quadris volumosos, obtidos com armações que aumentavam o tamanho das saias. Foi nesse contexto, que foi criada a crinolina, armação para saias surgida em 1830 e usada até por volta de 1870.

Crinolinas transportadas do lado de fora do transporte público

O termo crinolina vem do francês e foi formado a partir da junção entre “crinis” e “linum”, numa referência à “crina de cavalo” e “linho”, materiais usados na confecção do suporte em forma de gaiola que dava volume às saias.

Antes da invenção da crinolina, as mulheres usavam uma sobreposição de saias engomadas para conseguirem o efeito desejado. Algumas mulheres chegavam a usar 14 saias juntas. Esse excesso de roupa, entretanto, dificultava a caminhada e era quente demais no verão. Assim, a crinolina veio para aliviar o peso e oferecer mais conforto às mulheres.

Caricatura das crinolinas publicada em 1857 na Harper’s Weekly

Em 1860, havia crinolinas que chegavam a dois metros e meio de diâmetro. Algum tempo depois, elas passaram a ter um formato mais piramidal. Na década de 1870, foram criadas as crinoletes, armações que davam mais volume nas nádegas. Desse modo, em conjunto com o espartilho que afinava a cintura, as mulheres passaram a ter um contorno mais curvilíneo.

A evolução das vestimentas no século XIX

Tanto a crinolina, quanto a crinolete exigiam muita habilidade da mulher quando caminhava. Ao sentar, era necessário ficar na borda da poltrona e dobrar a saia sobre si mesma, para que ela não descobrisse as pernas. Até mesmo passar por algumas portas era um processo delicado, pois o volume das saias dificultava a entrada.

A crinolina podia, ainda, colocar a vida das mulheres em risco, já que, ao passar por cozinhas, lareiras ou perto de velas usadas para iluminação, a probabilidade de pegar fogo em suas saias era grande e o material usado para limpar as armações era inflamável. Em 1858, o jornal The New York Times chegou a publicar uma matéria alertando sobre o perigo e informando que acontecia em média três mortes por semana em decorrência de incêndios por causa do uso da crinolina.

Em 8 de dezembro de 1863, mais de duas mil pessoas morreram na igreja da Companhia de Jesus em Santiago do Chile. Uma vela provocou o fogo no altar e, rapidamente, ele se espalhou pela igreja. A tentativa de fuga das chamas foi impedida pelo uso das crinolinas e muitas mulheres não conseguiram escapar a tempo.  

Há quem diga que há um exagero ao se falar que a crinolina provocara a morte de mulheres. Segundo alguns estudiosos da moda, não há dados suficientes sobre os acidentes que realmente aconteceram em função de seu uso. Além disso, era comum o sensacionalismo nas matérias da época. O fato é que alguns acidentes realmente foram registrados e podem ser comprovados. Não é possível, entretanto, saber qual foi a real estatística desses acidentes.

Durante a Guerra Civil Americana, as crinolinas serviram também como esconderijo para armas e mercadorias contrabandeadas. As mulheres as escondiam sob seus vestidos e conseguiam se safar da proibição de levar mercadorias para os estados confederados.

Nos anos 1870, o volume das saias começou a diminuir. A dificuldade de entrar em veículos de transporte foi um dos fatores que contribuiu para que o uso da armação debaixo das saias fosse reduzindo. Muitas foram as transformações por que passaram as vestimentas femininas. A cada mudança um novo padrão de beleza foi sendo construído e as roupas das mulheres seguem até hoje sendo um dos parâmetros usados para julgá-las.

Referências:

https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100133/tde-14082017-233240/publico/Original_Juliana_Pirani.pdf

http://www.cursosonlinesp.com.br/product_downloads/z/curso_historia_da_moda_sp__02259.pdf

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