A bela história de Marsha: líder negra da comunidade trans que enfrentou as leis americanas e foi precursora do movimento lgbtqia+

Marsha P. Johnson se tornou um dos símbolos da luta pelos direitos dos LGBTQ+ nos Estados Unidos. Ela nasceu em 1945, em Nova Jersey. Registrada como menino, sempre se identificou como mulher e, ainda na infância, passou a usar vestidos, o que fez com que entrasse em atrito com seus pais, que não aceitavam o seu comportamento.

Até os 17 anos, Marsha se definia como assexual, essa foi a forma encontrada por ela para se livrar do assédio dos garotos e dos confrontos com os pais. Nessa época, mudou-se para Nova York e adotou o nome com que se tornou conhecida. A partir desse momento, passou a usar roupas exclusivamente femininas.

Com dificuldades de encontrar um trabalho, acabou entrando na prostituição. Sem conseguir dinheiro para manter uma casa permanente, viveu na rua, dormiu em quartos de hotéis baratos e contou com a ajuda de amigos.

Enquanto tentava sobreviver nas ruas de Nova York, conheceu Sylvia Rivera, menina trans de 11 anos que havia fugido de Porto Rico. As duas estabeleceram profundos laços de amizade e Marsha a ajudou a assumir a sua identidade trans.

As duas amigas estiveram envolvidas no levante que ocorreu no bar Stonewall Inn, em 28 de junho de 1969 e nas marchas que aconteceram depois da revolta no bar.

Marsha P. Johnson foi uma das fundadoras do “Gay Liberation Front”, um grupo pioneiro na luta contra a perseguição aos integrantes da comunidade LGBTQ+. Johnson e Rivera foram muito atuantes no movimento, mas sentiam uma certa frustração porque as pessoas trans não eram completamente incorporadas ao movimento. Assim, elas fundaram a “Street Transvestite Action Revolutionaries” e passaram a oferecer moradia às pessoas trans desabrigadas.

Para pagar o aluguel e continuar suas ações solidárias, elas se prostituíam. Ao longo de sua vida, Johnson enfrentou muitas dificuldades, sendo alvo constante da polícia e passando pela prisão diversas vezes, pois viveu em um período em que a comunidade LGBTQ+ era fortemente perseguida.

Marsha viveu também momentos de glória, quando foi fotografa por Andy Warhol para uma série que ele estava produzindo em 1975.

Em 1990, ela contraiu AIDS e teve que enfrentar uma nova luta, agora contra uma doença que, na época, era vista como uma sentença de morte.

No dia 6 de julho de 1992, seu corpo foi encontrado no Rio Hudson. Embora a causa da morte tenha sido anunciada como suicídio, muita gente discorda de que esse tenha sido realmente o real motivo. Ativistas acreditam que Marsha tenha sido vítima de um ataque ou crime de ódio, algo extremamente comum contra a comunidade trans.

Na época, o termo trans não era usado, mas o fato de que ela se identificava usando pronomes femininos faz com que hoje ela seja considerada uma mulher trans, que entrou para a história como uma das pioneiras na luta pelos direitos das pessoas trans, travestis e drag queens.  

Em 2016, foi fundado o Instituto Marsha P. Johnson voltado ao atendimento de mulheres negras trans, uma justa homenagem a quem participou ativamente da luta pelos direitos dessas mulheres.

Referências:

https://rollingstone.uol.com.br/noticia/negra-drag-queen-prostituta-e-ativista-marsha-p-johnson-um-simbolo-da-luta-lgbtq/

https://www.uol.com.br/ecoa/amp-stories/fizeram-historia-marsha-p-johnson/

https://www.bbc.co.uk/newsround/52981395

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