O bizarro caso dos prisioneiros idênticos que comprovou a necessidade do uso das impressões digitais em casos criminais

Atualmente, o uso de digitais para comprovar identidade é visto como um dos meios mais fidedignos e eficientes existentes. Mas nem sempre foi assim. Até o final do século XIX, havia, ainda, muitas dúvidas sobre a segurança do uso da biometria.

Geralmente, a identificação de uma pessoa era realizada por fotografias e medidas antropométricas. Esse fato mudou, no dia que em que o americano Will West ingressou, como prisioneiro, na penitenciária Leavenworth, famosa prisão do Kansas, que guardava assassinos brutais com penalidades perpétuas.

Quando Will foi submetido à identificação, na triagem da instituição, suas medidas foram tiradas e fotos captadas como de costume. Quando sua ficha foi enviada para o setor de alocação de presidiários em cela, um guarda identificou que já havia um homem chamado William West em uma das galerias.

Com a foto do recém-encarcerado em mãos, destacada da ficha de condenação de Will, os guardas foram até o William West que estava cumprindo perpétua por assassinato. Ao mostrar a imagem, o preso mais antigo comentou: “sou eu nessa fotografia, mas nunca estive nesse lugar aí”.

O choque dos guardas e dos Wills aconteceu porque eles eram praticamente iguais e tinham quase o mesmo nome.

Submetidos ao sistema de identificação Bertillon, amplamente usado na época, cuja metodologia era usar nome, medidas do corpo e fotografia para comprovar a identidade, os burocratas da grande prisão do Kansas viram o método falhar em frente aos seus olhos.

Colocados frente a frente, os dois assassinos condenados diziam não se conhecerem. Então, um especialista em identificação da Universidade do Kansas se locomoveu até Leavenworth e colheu as impressões digitais. Após a análise, ficou comprovado que elas eram totalmente diferentes.

Para evitar mais problemas, um dos prisioneiros foi transferido para uma prisão menor, em um pequeno condado no mesmo Estado.

A partir dessa tensa coincidência, as delegacias passaram a usar, além dos métodos mais tradicionais de identificação, a impressão digital, o que incluiu uma quarta forma de comprovar que alguém é mesmo alguém e evitar injustiças.

Ao longo do tempo, a história foi ganhando um status sensacionalista. Pesquisadores mais contemporâneos conseguiram encontrar parentesco entre os dois criminosos. Há até mesmo teorias, com fortes indícios, de que eram irmãos, apesar de nunca terem encontrado os registros que comprovassem o parentesco próximo.

Referências:
https://dh.dickinson.edu/digitalmuseum/exhibit-artifact/babes-in-the-woods/fingerprints
https://rarehistoricalphotos.com/will-william-west-case-fingerprints/
https://caasbrey.com/a-fingerprint-fable-the-will-and-william-west-case/
http://www.papiloscopia.com.br/historia.html

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