Tratamento para a alma: a bela origem dos Jogos Paralímpicos

Em 1939, quando tem início o conflito conhecido como Segunda Guerra Mundial, o Partido Nazista, que até então tomava conta da Alemanha, deu um ponto final em qualquer assistência dada às pessoas com deficiência. Na época, a ação do governo foi fechar todos os núcleos de pesquisa de saúde voltados para deficientes de Guerra e extraditar os cientistas que se dedicavam a esse tema. Entre os profissionais expulsos do país estava Ludwig Guttmann, um famoso neurologista que trabalhava com reabilitação de traumas de Guerra.

Ao sair da Alemanha, Guttmann conseguiu uma vaga para trabalhar na Universidade de Oxford. Na instituição, ele se destacou com soluções para tratamento de pessoas que voltavam do front com sequelas irreparáveis.

Após o fim do grande Conflito, o neurologista foi transferido para o Hospital de Reabilitação para Veteranos de Guerra em Stoke Mandeville.
No local, Guttman percebeu que além de tratar fisicamente as pessoas com deficiência, ele teria que tratá-las emocionalmente.

Geralmente, homens e mulheres feridos em Guerra, carregam uma espécie de culpa por não terem terminado o conflito junto ao desfile dos vencedores. Ou uma espécie de “síndrome do sobrevivente”, que os faz sentirem culpa por estarem vivos, enquanto seus companheiros morreram. Guttman percebeu que ao incentivá-los a vencer desafios, dava a eles impulsos positivos para melhora a autoestima e, consequentemente, acelerar o processo de tratamento.

Então, o neurologista e a sua equipe passaram a investir em competições para pessoas com deficiência. Primeiro com pessoas que perderam algum membro como pernas e braços e, depois, com pessoas que desenvolveram transtornos mentais.

Foi a partir dos jogos de Stoke que os Jogos Paralímpicos se espalharam pelo continente europeu, já que praticamente todos os países tinham pessoas com sequelas de guerra.

O mundo, a partir dessas competições, passou a ver as pessoas com deficiência com outros olhos e a prática se espalhou pelo mundo até ser oficialmente conhecida como Jogos Paraolímpicos e depois Jogos Paralímpicos.

Referências:

https://scielosp.org/article/csc/2016.v21n10/2989-2997/

Parsons A, Winckler C. “Esporte e a Pessoa com Deficiência – Contexto Histórico”. In: Mello MT, Winckler C, organizadores. Esporte paralímpico São Paulo: Editora Atheneu; 2012.

Cardoso, V.D. “A reabilitação de pessoas com deficiência através do desporto adaptado”. Rev. Bras. Ciênc. Esporte 2011.

https://www.npr.org/2021/08/25/1030629549/paralympics-history-name-meaning

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