Jesse Owens, o atleta negro que desafiou a superioridade ariana em plena Alemanha nazista

Em 1936, com a Olímpiada de Berlim, Adolf Hitler queria provar a supremacia da raça ariana com a conquista de muitos ouros olímpicos, mas um atleta negro americano frustrou os seus planos e mostrou que a ideia de superioridade dos brancos era completamente infundada.

Jesse Owens entrou para a história como o homem que desafiou o nazismo alemão e o racismo americano e se tornou o primeiro atleta a ganhar quatro medalhas de ouro em uma Olimpíada.

Batizado como James Cleveland Owens, ele nasceu no Alabama em 12 de outubro de 1913. Filho de um agricultor, neto de escravizados, teve uma vida pobre ao lado de seus pais e seus nove irmãos. Trabalhou em campos de algodão em Danville e Cleveland e começou a conquistar a fama de homem mais veloz do mundo em Michigan, em um torneio universitário em 1935. Momento em que quebrou quatro recordes mundiais. Mas foi nas Olímpiadas de Berlim que Owens registrou para sempre o seu nome na história.

O atleta conquistou quatro medalhas de ouro, todas com recordes mundiais. Venceu nos 100 m, com 10s3, nos 200 m, com 20s7, no salto em distância, com 8,06 m, e no revezamento 4×100 m, com 39s8.

Ao falar sobre o seu feito, Jesse Owens disse que Hitler correspondeu ao seu aceno durante a comemoração de uma de suas vitórias. Mesmo com as ideologias nazistas que dominavam a Alemanha, Owens afirmou que foi que ali que, pela primeira vez na vida, pôde dividir o quarto com atletas brancos e viu um estádio lotado de pessoas brancas aplaudi-lo por suas conquistas.

Ao falar do seu país, entretanto, Jesse Owens sempre demonstrou tristeza por não receber o reconhecimento do governo dos Estados Unidos. Na época, o presidente era Franklin Delano Roosevelt e ele nunca parabenizou Owens pelas medalhas, nem reconheceu publicamente os seus feitos.

De volta aos Estados Unidos, ele foi aplaudido em Nova York, mas teve que ficar na parte de trás do ônibus que levava os atletas e usar o elevador de serviço do hotel onde seria homenageado. Além disso, nunca foi recebido pelo presidente e disse que o tratamento dados aos negros nos Estados Unidos em nada diferia do que ocorria na Alemanha nazista. Também não recebeu patrocínios ou qualquer incentivo financeiro, tendo que fazer de tudo para sobreviver. Ele atuou com educação infantil, trabalhou como frentista, operador de elevador, ascensorista, integrou ações do Departamento de Estado, chegou a ser chamado para mediar conflitos entre atletas negros e o governo e participou de diversos desafios de corrida para conseguir dinheiro para se manter. Owens correu contra trens, motos, cachorros e cavalos, disputando apostas para pagar as suas contas no final do mês.

Jesse Owens chegou a dar uma de suas medalhas olímpicas ao ator Bill Bojangles Robinson, em agradecimento pelo emprego que ele lhe conseguiu na indústria cinematográfica. Em 2013, a medalha foi leiloada pela viúva de Robinson.

No final da vida, começou a ganhar algum dinheiro fazendo palestras para grandes empresas americanas e para o Comitê Olímpico dos Estados Unidos. Nessas apresentações, ressaltava a importância de se manter o espírito esportivo. Jesse Owens foi cobrado diversas vezes por não se posicionar publicamente contra o racismo e dizer aos atletas que não deveriam misturar política com esporte.

Owens morreu no dia 31 de março de 1980 em Arizona, vítima de um câncer no pulmão, deixando seu nome registrado na história pelos feitos conquistados no esporte e pela simbologia de suas vitórias em plena Alemanha nazista.

Referências:

https://www.uol.com.br/esporte/reportagens-especiais/jesse-owens-calou-hitler-mas-foi-obrigado-a-correr-contra-animais-para-comer/#page10

https://www1.folha.uol.com.br/banco-de-dados/2020/03/ha-40-anos-morreu-jesse-owens-que-desafiou-nazismo-e-racismo.shtml

https://ge.globo.com/olimpiadas/noticia/historica-medalha-de-ouro-de-jesse-owens-na-olimpiada-de-1936-e-leiloada-por-r-25-milhoes.ghtml

https://periodicos.itp.ifsp.edu.br/index.php/IC/article/view/1370

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