A história do movimento que tentava convencer as pessoas de que Hitler era um Anticristo idiota

Em 27 de junho de 1942, teve início na Alemanha o Rosa Branca, um movimento pacífico que distribuía panfletos contra o regime nazista em cidades como Munique e Hamburgo.

Formado por estudantes universitários, os principais integrantes do grupo eram os irmãos Hans e Sphie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst. Eles escreviam panfletos e pichavam muros e paredes com as frases “Abaixo Hitler” e “Liberdade”.

Membros do movimento Rosa Branca

Datilografados um a um, os panfletos questionavam as ações de Hitler, afirmavam que todo alemão deveria ter vergonha daquele governo e perguntavam como os alemães agiriam quando os crimes praticados durante o regime viessem à tona.

Os panfletos eram colocados em caixas de correio, deixados em cabines telefônicas e distribuídos clandestinamente nas universidades. Não se sabe a origem exata do nome do movimento, mas acredita-se que seja um símbolo da pureza e inocência contra o mal. 

Hans e Sphie Scholl

Eles distribuíram seis panfletos, cada um com duas páginas, nas quais defendiam a liberdade, se posicionavam contra o extermínio de judeus e poloneses, pediam uma autocrítica dos alemães, defendiam a “coragem cívica e cristã” e citavam filósofos, poetas e trechos bíblicos.

Em 18 de fevereiro de 1943, os irmãos Hans e Sophie foram flagrados distribuindo o sexto panfleto na Universidade de Munique. A Gestapo foi chamada e eles foram presos. Hans trazia em seu bolso o rascunho do sétimo panfleto, tentou destruí-lo, mas foi pego antes disso.

Memorial em homenagem ao movimento Rosa Branca na Universidade de Munique

Hans foi executado na guilhotina no dia 22 de fevereiro. Pesava ainda contra Hans Scholl o fato de ser homossexual, o que também não era aceito durante o regime nazista.

Todos os outros membros do grupo foram descobertos e, entre os meses de abril e outubro de 1943, foram mortos sob a acusação de que teriam cometido o crime de alta traição.

A atuação do movimento se deu em duas fases. A primeira aconteceu entre os meses de junho e julho de 1942 e produziu quatro panfletos denominados “Panfletos da Rosa Branca”. Nessa fase, a influência religiosa é bem grande e Hitler é apresentado como um Anticristo a ser combatido.

As ações do grupo foram interrompidas por um período porque os jovens foram convocados para servir o exército alemão.

Entre novembro de 1942 e fevereiro de 1943, desenvolve-se a segunda fase do movimento, que conta com dois panfletos intitulados “Panfletos do Movimento de Resistência na Alemanha”. Nesse momento, as mensagens de oposição ao regime nazista tornam-se mais explícitas, os textos falam sobre a necessidade de resistência e denunciam os crimes da guerra, o fechamento das universidades e o controle ideológico e intelectual.

Apesar do extermínio de todos os membros do grupo, eles conseguiram plantar a ideia de resistência ao regime hitlerista. Grupos anônimos deram segmento às ações do Rosa Branca e seguiram distribuindo cópias dos panfletos que eles haviam produzido. Oito universitários foram mortos por darem continuidade ao trabalho iniciado pelo movimento.

A semente plantada por esses jovens tornou-se um símbolo da resistência alemã e tem sido usada como um argumento de que é falsa a ideia de que todo alemão foi conivente com as barbaridades praticadas pelos nazistas.

Historiadores citam que muitos alemães foram usados como instrumento do horror nazista, mas diversas vozes de oposição ao regime ecoaram em diferentes cantos da Alemanha. Famílias alemãs ajudaram a esconder judeus, líderes religiosos se posicionaram contrários ao autoritarismo de Hitler e jovens universitários como os membros do Rosa Branca perceberam as atrocidades do regime e mostraram através de seus panfletos que não era possível se calar diante do que acontecia.

Conforme afirmou Sophia Scholl: “O que escrevemos e falamos é o que muitas pessoas pensam, mas não têm coragem de dizer”. Assim, esses jovens são vistos como o símbolo de que houve, sim, resistência alemã contra os nazistas.

Referências:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2017/06/movimento-rosa-branca-que-fez-historia-enfrentando-hitler-em-plena-alemanha-nazista-completa-75-anos-9822454.html

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-que-foi-o-movimento-rosa-branca-o-bravo-grupo-de-jovens-que-enfrentou-os-nazistas/

https://www.dw.com/pt-br/1942-resist%C3%AAncia-antinazista-rosa-branca-distribui-panfletos/a-583317

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/02/130222_resistencia_alemanha_fn

SCHOLL, Inge. “A Rosa Branca: A história dos estudantes alemães que desafiaram o nazismo”. São Paulo: Editora 34, 2013.

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