Conheça a história do Massacre Racial de Tulsa.

O conflito, ocorrido em 1921, na cidade de Tulsa, em Oklahoma, é considerado um dos maiores massacres raciais da história dos Estados Unidos.

As proporções do acontecimento fomentaram e acirraram os conflitos raciais no país e os desdobramentos dessa história atrasaram, economicamente, de forma significativa, a população negra do Sul dos Estados Unidos.

A cidade de Tulsa, em Oklahoma, era considerada o local mais próspero para um negro viver no Sul dos Estados Unidos. Nos limites do município encontrava-se o distrito de Greenwood, local formado majoritariamente por afro-americanos e com uma economia pujante. A região chegou a ficar conhecida como a ” Black Wall Street” , pois era lar de dentistas, advogados, líderes religiosos, empresários e até mesmo rentistas negros, funções profissionais que eram raramente ocupadas por pessoas de tal raça.

Durante a Primeira Guerra Mundial, há um aumento significativo no sentimento nacionalista estadunidense. Filmes racistas, como O Nascimento de uma Nação (DW Griffit, 1915), faziam leituras de uma América “ameaçada” pelos negros. A propagação de tais ideias fez com que a figura do afro-americano como selvagem, que já era vista como um elemento externo e perigoso à nação, passasse a habitar cada vez mais o imaginário de grande parcela da população branca. A Klu Klux Klan, por exemplo, ressurgiu e aumentou consideravelmente a quantidade de membros, a partir de 1915. Essa situação impulsionou a criação de leis segregacionistas, aumentou o ódio racial e causou grandes conflitos em todo o país, mas principalmente nos Estados do Sul, onde a questão racial era mais latente.

É nesse cenário que se desenvolve o Massacre de Tulsa.

Cartão postal comercializado na época, exaltava o massacre.

No dia 30 de maio de 1921, Dick Rowland, um garoto negro de 19 anos, foi acusado de ter Tentado estuprar, dentro de um elevador, a jovem branca Sarah Page, de 17 anos. Hoje sabe-se que os dois mantinham um relacionamento próximo, provavelmente namorados, relação inaceitável na época. Levado à delegacia, o garoto negou que havia cometido o crime. Rowland disse que apenas esbarrou na menina e um homem branco, que estava fora do elevador, chamou a polícia acreditando que ele havia feito algo de ruim para a garota.

Parte da população branca da cidade, ao saber da notícia, se reuniu na porta da delegacia, mas a comunidade negra, formada, em grande parte, por pessoas bem sucedidas economicamente, também fez plantão na porta da instituição policial. Advogados afro-americanos foram mobilizados e uma boa quantia em dinheiro foi arrecadada para ajudar na defesa do garoto.

O estopim para o conflito ocorreu no dia 31 de maio quando chegou à porta das casas o jornal da cidade com a manchete: “Negro ataca garota em elevador”, o título aumentou ainda mais a revolta da população das duas raças. A questão saiu do controle quando Rowland foi levado, nos mesmo dia, ao tribunal da cidade para ser julgado. Na porta da instituição mais de 1000 brancos, sedentos por um linchamento, esperavam o garoto. Foi então que veteranos de guerra, negros, empunharam armas e resolveram fazer a escolta do réu, observando a situação, líderes racistas passaram a fomentar, na cabeça de seus seguidores, que os negros da cidade estavam se levantando contra a raça branca. O resultado da confusão foi uma troca de tiros sucedido por um embate corpo a corpo entre brancos e negros. Os brancos, com maior força e com a condescendência das forças policiais e políticas da cidade, perpetraram um verdadeiro massacre no bairro negro de Greenwood. Foram 16 horas de destruição que culminou em mais de 1200 estabelecimentos queimados, entre eles prédios comerciais, igrejas e residências familiares. Cerca de 10 mil negros ficaram desabrigados, 39 quadras ficaram em chamas e o saldo final de mortes passou de 300(quase todos negros).

O evento, de proporções catastróficas, marcou o aumento da violência racial no Sul dos Estados Unidos. Dias após o conflito, milhares de negros fugiram de Oklahoma e se refugiaram no norte do país, buscando uma vida com um pouco menos de opressão.

O Massacre de Tulsa aparece bem pouco nos livros de história, a destruição de uma comunidade negra economicamente ativa e em franco crescimento parece não ter despertado a indignação do governo norte-americano da época. As memórias do ocorrido foram resgatadas durante os anos 60 e 70, no auge da luta pelos direitos civis dos negros.

Atualmente, os movimentos anti-racistas nos Estados Unidos voltaram seus olhos para o estudo mais aprofundado dessa triste história, que tanto alterou a vida dos afro-americanos e sua trajetória na terra da “Liberdade”.

Foto: Tulsa Historical Memorian and Museum

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Referências:

https://www.history.com/topics/roaring-twenties/tulsa-race-massacre?fbclid=IwAR0MjHT9YBj4TbMTAfHbbEgNFq7KCZ-l9om33GbP25opz2f_1ZHPe-5wIoQ

https://www.esquire.com/entertainment/tv/a29518387/watchmen-hbo-show-tulsa-1921-massacre-explained/?fbclid=IwAR1D1Xp9PSvwGReW5mMNdjdhZsghkjIV-Sx4c3mikIPF8EDbmEvLL0Ocwzw

https://www.tulsahistory.org/exhibit/1921-tulsa-race-massacre/?fbclid=IwAR3ZmrKjFnu-AJi-sh14Dp85ri1AgNtsdw_yIqbxsRSI2TLYQqHmoMZOGBc

https://theblackwallsttimes.com/2017/10/09/curriculum-counts-the-importance-of-teaching-about-the-1921-tulsa-race-riot/?fbclid=IwAR3_tmEe3f-RHxb4WghMuu7nBx4dYHowzYmM2bnpDEreM3Dd9-11RRktJW4

https://www.kjrh.com/news/local-news/1921-race-massacre-commission-to-roll-out-state-wide-curriculum-for-teachers?fbclid=IwAR3cURUZDkpmdWEOyVk82NCv1If5vw9_YGHgRhJlz3tMLHtl9ZW_xV614iU

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