A história de Mazzaropi, um dos maiores artistas da história do Brasil.

Passada de geração para geração, a imagem de Mazzaropi se confunde com a história cultural e artística do nosso país.

Filho de imigrantes (pai italiano, mãe portuguesa), Amácio Mazzaropi nasceu na cidade de São Paulo, em 1912. Seu avô era animador de festas do bairro e levava o pequeno Amácio para as suas apresentações, logo, o garoto aprendeu a arte do riso, que o deixaria tão famoso no futuro.
Aos 7 anos, Mazzaropi ingressa no curso primário do Colégio Amadeu Amaral, no bairro do Belém. Bom aluno, era reconhecido por sua facilidade em decorar poesias e declamá-las, tornando-se o centro das atenções nas festas escolares.

Aos 10 anos de idade, Amácio continua a interpretar tipos nas atividades escolares e começa a frequentar o mundo circense. Preocupados com o envolvimento do filho com o circo, os pais o mandam aos cuidados do tio em Curitiba, onde trabalha por alguns meses na loja de tecidos da família.

Já com 14 anos, em 1926, regressa à capital paulista ainda com o sonho de participar em espetáculos de circo e, finalmente, entra na caravana do Circo La Paz.
Com a Revolução Constitucionalista de 1932, segue-se uma grande agitação cultural e Mazzaropi estreia em sua primeira peça de teatro, chamada “A herança do Padre João”. Já em 1935, consegue convencer seus pais a seguir turnê com sua companhia e a atuarem como atores. Até 1945, a Troupe Mazzoropi percorre muitos municípios do interior de São Paulo, mas não há dinheiro para melhorar a estrutura da companhia.

Com a morte da avó materna, Dona Maria Pita Ferreira, Mazzaropi recebe uma herança suficiente para comprar um telhado de zinco para seu pavilhão, podendo, assim, estrear na capital, com atuações elogiadas por jornais paulistanos.

Porém o principal destaque na vida de Mazzaropi ainda estava por vir. Em 1946, o artista é convidado a integrar a rádio Tupi. Na emissora, faz contato com profissionais ligados à área do cinema, atividade em expansão na época. Após um teste bem sucedido, Amácio consegue estrear seu primeiro filme intitulado ” Sai da Frente”, pela histórica companhia de cinema Vera Cruz.

Após a primeira atuação nas telonas, o artista não parou mai. Como protagonista dos filmes, juntou dinheiro, comprou uma fazenda e montou seu próprio estúdio. Além do trabalho como ator, encarnando um personagem que reproduz o estereótipo caipira, Mazzaropi também acumulava as funções de produtor e roteirista, colaborando frequentemente com os diretores.

Ao longo de sua carreira, lançou mais de 30 filmes, sendo campeão de bilheteria do ano em pelo menos 15 deles.

Durante o final dos anos 60 e início dos anos 70, quando a indústria do cinema entrou em crise no país, Mazzaropi carregava praticamente sozinho as salas de cinema do país.

O personagem encarnado pelo artista virou um símbolo brasileiro, inclusive, entrando com muita força na cultura pop nacional.

Em sua biografia oficial, amigos apontam que Mazzaropi era homossexual, mas nunca pôde assumir a sua sexualidade, pois, segundo o artista, essa condição poderia prejudicá-lo em contratos, já que, na época, a homossexualidade era considerada uma espécie de aberração. Para os amigos, a repressão dessa condição era a única coisa que deixava Mazzaropi realmente triste.

Atacado por um câncer, Mazzaropi morre dia 13 de junho de 1981. Seu corpo foi enterrado em Pindamonhangaba junto aos restos mortais de seu pai.

Lembrar de Mazzaropi é reviver momentos mágicos da infância, é relembrar dos pais e avós que se divertiam assistindo às estrepolias e astúcias do caipira mais querido do Brasil.

Grande Mazzaropi!

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