Zuzu Angel: uma mulher incansável na busca pelo corpo do filho morto pela ditadura

            Zuleika Angel Jones (1921-1976), conhecida como Zuzu Angel, tornou-se famosa como estilista na década de 60, tendo coleções de sucesso tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e foi graças a essa fama, que ela deu repercussão internacional ao “desaparecimento” de seu filho Stuart Edgar Angel Jones, tornando-se um símbolo da luta contra a ditadura militar no país.

            Estudante de Economia na UFRJ e militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Stuart foi preso em 14 de abril de 1971, sendo torturado até a morte por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica na Base Aérea do Galeão.

            Em uma carta recebida por Zuzu Angel no Dia das Mães, o militante Alex Polari de Alverga informou a Zuzu que seu filho teve o corpo amarrado em um jipe e arrastado pela pista de pouso. Quando o jipe parava, ele era forçado a respirar os gases que saíam do escapamento. Dois anos depois, a esposa de Stuart, Sônia Maria de Moraes Angel Jones, também foi presa, torturada até a morte e dada como “desaparecida”.

Zuzu Angel com os três filhos (Hildegard, Ana e Stuart)

            Diante da dor pela perda do filho e da nora e pela falta de respostas, Zuzu Angel começou uma peregrinação em busca do corpo de Stuart e se engajou em campanhas contra a ditadura dentro e fora do país, chegando a promover um desfile em Nova York com roupas estampadas com anjos feridos e pássaros engaiolados como forma de protesto em relação ao que acontecia no país.

            Em 1973, Zuzu Angel foi à casa do general Ernesto Geisel pedir ajuda para encontrar o corpo de seu filho. Em 1975, quando Geisel já ocupava a presidência, escreveu-lhe uma carta apelando à sua posição de “pai e cristão” para que seu pedido fosse atendido e sua angústia pudesse ser saciada.

            Em 14 de abril de 1976, Zuzu Angel morreu em um acidente de carro na estrada da Gávea, sem nunca encontrar o corpo do filho. Embora as declarações oficiais tenham atribuído a sua morte ao fato de que ela dormira no volante, em 1998, o governo brasileiro reconheceu que ela sofreu um atentado político. A própria Zuzu Angel escreveu em um documento deixado na casa de Chico Buarque de Hollanda que a sua vida estava ameaçada: “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.

            Além de sua grande contribuição ao mundo da moda, o grande legado de Zuzu Angel foi sua busca incansável por justiça para o seu filho, como muito bem mostram os versos da música “Angélica”, feita por Chico Buarque e Miltinho em sua homenagem: “Quem é essa mulher/Que canta sempre esse estribilho?/ Só queria embalar meu filho/Que mora na escuridão do mar”.

Referências:

http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/zuzu-angel/. Acesso em: 23/01/2020.

https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,certidoes-reconhecem-responsabilidade-da-ditadura-nas-mortes-de-stuart-e-zuzu-angel,70003003746. Acesso em: 23/01/2020.

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-zuzu-angel-uma-estilista-contra-a-ditadura-militar-brasileira.phtml. Acesso em: 23/01/2020.

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