A história do Racismo no Futebol: como o esporte mais popular do mundo mostra a sociedade racista na qual vivemos

O racismo no Futebol sempre foi um tema de difícil abordagem, pois, o esporte, historicamente, é considerado uma excelente forma de contenção de conflitos sociais e de superação de preconceitos. O amor pelo time já diluiu diferenças raciais em muitas situações, sendo tema de filmes, livros e matérias televisivas.

O fenômeno racista em campo não é novidade. Pelé, por exemplo, foi vítima de racismo inúmeras vezes, sendo bastante criticado por nunca ter reagido com indignação à altura.

Time da Liga dos Canelas Pretas

No Brasil, por exemplo, até o início do século XX, os clubes profissionais não aceitavam jogadores negros em seus quadros. Os homens negros do Rio Grande do Sul precisaram até criar um campeonato paralelo, conhecido como “Liga dos Canelas Pretas”.
O primeiro atleta negro a disputar uma partida oficial por clubes profissionais foi Miguel do Carmo, pelo time Ponte Preta de Campinas.
Historiadores relatam que o jogador era chamado de “macaco, carvão, Tizil e fedido” em todos os jogos. Até mesmo parte da torcida era contra a sua contratação.

Miguel do Carmo o primeiro jogador negro a disputar uma partida oficial em clubes profissionais

Ao longo dos anos, o futebol foi acompanhando as ideias da sociedade e muitas práticas racistas, durante a Primeira e Segunda Guerra, foram se manifestando dentro das quatro linhas. Grande parte dos atletas nem apoio para revidar as situações tinha, já que, até o início dos anos 2000, não constava no regulamento da maioria esmagadora das ligas profissionais punições para ações racistas, sejam da torcida, de adversários ou membros do próprio time.

Porém, nos últimos anos, com a onda de xenofobia que toma conta de parte da população europeia e o ressurgimento de grupos que defendem ideias neonazistas, o continente tem enfrentado inúmeras manifestações racistas, principalmente nos campeonatos mais importantes organizados pela UEFA.

Torcedor mirim do Dynamo de Kiev faz saudação nazista, em 2015

Já foram vítimas desses atos, jogadores famosos como Mário Balotelli, Sulley Muntari, Felipe Melo, Daniel Alves, Neymar, entre outros.

Em 2015, um dos dirigentes do clube Ucraniano Dynamo de Kiev, Volodimir Spilichenko, diretor responsável pelo estádio do time, expressou a vontade de dividir as acomodações do campo em dois setores: um só para negros, outro só para brancos, visando evitar agressões que torcedores possam sofrer em decorrência dos conflitos raciais.

Jogo entre brancos e pretos em Campinas – 1969

O debate sobre futebol e racismo voltou à tona com força total, nos últimos quatro anos. Jogadores negros e brancos estão reagindo constantemente frente às atitudes das torcidas, a UEFA e FIFA estudam punir, de forma mais exemplar, os clubes que não conseguirem conter esses tipos de manifestações em seus estádios.

Há uma luta intensa da opinião pública por punições mais severas no caso de racismo. Atualmente, a maior parte das ligas famosas prevê suspensões de alguns jogos ou perda de mando da partida. Punições brandas para um crime inescrupuloso e cruel que é desqualificar alguém pelo tom de pele e origem

Goleiro Aranha sofre xingamentos racistas da torcida do Grêmio
Daniel Alves come uma banana jogada em um ato racista em um jogo do Barcelona
Pelé abraça e beija o pugilista Muhammad ali. O jogador foi criticado duramente ao longo da carreira por não se posicionar enfaticamente contra o racismo em campo. Já o boxeador era um ferrenho combatente. Amigo pessoal de Malcolm X
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