As coleções de papel de carta que marcaram a adolescência dos anos 80 e 90

Receber uma carta hoje em dia parece algo quase impossível, especialmente para quem vive nas grandes cidades, cercado pelos meios tecnológicos e pela efemeridade das mensagens que nos chegam através dos mais variados aplicativos.

Quem viveu, entretanto, o ritual de escrever uma carta, colocá-la no correio e ficar aguardando ansiosamente a resposta, sabe que as mensagens virtuais não têm o mesmo efeito de receber aquele envelope com o texto de alguém querido, escrito com todo o cuidado e o carinho que marcava esse ritual de escrita.

Em meio a esse processo, as mulheres que foram adolescentes nas décadas de 80 e 90 certamente se lembram de um ritual que marcou a vida de muitas delas: colecionar papel de carta. O mais interessante é que dificilmente esses papéis seriam usados para escrever cartas. Eles eram guardados em pastas catálogos como verdadeiras relíquias e exibidos por meninas que os colecionavam como uma joia rara.

Um papel de carta só se depararia com uma caneta quando seu destinatário fosse alguém especial demais ou quando a colecionadora tivesse algum repetido. Se você recebeu uma carta escrita em um papel de carta, sinta-se privilegiado, pois os papéis eram colecionados com tanto esmero que escrever neles parecia ser um ato impensável.

Alguns deles eram produzidos com materiais cheirosos, tinham formato de coração, balões, estrelas, ursos, alguns tinham a folha toda preenchida com desenhos, outros apresentavam um espaço pautado para se escrever a carta que raramente nele foi escrita.

Ter uma pasta cheia de papéis de carta era motivo de ostentação e popularidade na escola, sair em busca de quem pudesse trocar os repetidos era uma grande aventura, passar na papelaria e encontrar um modelo novo era uma satisfação sem fim.

Cada papel tinha uma história, remetia a um momento da vida das meninas que o colecionavam. Havia aqueles que eram escolhidos como mais bonitos, esses ganhavam destaque nas pastas catálogos que os abrigavam. Amizades se formavam nas rodas de troca de papéis de carta, histórias iam sendo construídas, memórias de um tempo longínquo que parece impossível de retornar.

Olhados e admirados por suas colecionadoras, os papéis de carta marcaram uma geração de meninas que, agora mulheres, relembram com nostalgia daqueles papéis guardados com tanto carinho.

As principais marcas eram as importados Hello Kitty, Pochaco, Little Twin Stars, My Melody e Morning Glory, ou as nacionais Belas Artes, Cartiuge e Fantasia. Todas eram marcadas pelas cores fortes, pelos desenhos delicados e por um tom romântico que encantava as meninas.

Ainda hoje há quem guarde com carinho a sua coleção de papéis de carta, alguns ainda podem ser encontrados à venda na internet, mas aquele ritual de contar todos os dias os papéis, separá-los nas pastas catálogos, contemplá-los como um bem imprescindível, permanece apenas guardado nas memórias de quem viveu essa época.

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