Solano Trindade e a poética afro-brasileira

Francisco Solano Trindade nasceu no Recife, em 24 de julho de 1908. Filho do sapateiro Manoel Abílio e da doméstica Emerenciana Quituteira, tinha descendência negra e branca do lado paterno e negra e indígena do lado materno. 
De origem muito humilde, conseguiu concluir seus estudos e, desde cedo, interessou-se pela cultura popular e pelo folclore brasileiro. Foi cineasta, pintor, ator de cinema, homem de teatro e poeta.   


Em 1935, casou-se com Maria Margarida, terapeuta ocupacional e coreógrafa, com quem teve quatro filhos. No ano seguinte, junto com o poeta Ascenso Ferreira, o pintor Barros e o escritor José Vicente Lima, fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-Brasileiro, visando promover a cultura, a arte e a literatura afro-brasileira. Conforme Solano, os membros do movimento buscavam a promoção e divulgação dos intelectuais e artistas negros: “não faremos lutas de raças, porém ensinaremos aos irmãos negros que não há raça superior, nem inferior, e o que faz distinguir uns dos outros é o desenvolvimento cultural”.
Em 1944, publica seu segundo livro de poesias, “Poemas d’uma vida simples”, obra bastante aclamada, que lhe trouxe elogios de autores como Carlos Drummond de Andrade e Darcy Ribeiro. No mesmo ano, junto com Abdias do Nascimento, funda, no Rio de Janeiro, o grupo de Teatro Experimental do Negro. Em 1950, cria o Teatro Popular Brasileiro, grupo cujo elenco era composto por domésticas, operários e estudantes.


Nos anos 60, muda-se para Embu, promovendo uma ampla manifestação artística e cultural na cidade, o que a levou a ser chamada de “Embu das Artes”. Em 1961, publica “Cantares ao meu povo”, obra elogiada por Roger Bastide, um dos pioneiros no estudo da poesia afro-brasileira.       
Em 19 de fevereiro de 1974, morreu pobre e esquecido em uma clínica do Rio de Janeiro. Deixou, no entanto, uma grande obra na qual denunciou os problemas de sua época, exaltou heróis negros e buscou na poesia o compromisso social de alterar a hegemonia branca e alcançar um espaço para a voz do negro no Brasil. Como afirma em seus versos, sua poesia “É o lamento/ do povo oprimido,/ das gente sem pão…/ É o gemido de todas as raças/ de todos os homens/ É o poema/ da multidão!”.   

Referências:

TRINDADE, SOLANO. “Poemas antológicos de Solano Trindade”. (Org.) REIS, Z. C.

São Paulo: Nova Alexandria, 2008.

SOUZA, Florentina. “Solano trindade e a produção literária afro-brasileira”. Revista

Afro-Ásia, 31, 2004, p.311-293.

BERND, Zilá (Org.). “Poesia negra brasileira: antologia”. Porto Alegre: AGE: IEL: IGEL, 1992.

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