Censura e mito: 5 escândalos de corrupção no período da Ditadura Militar

Para alguns, há um mito de que durante a Ditadura Militar no Brasil, de 1964 a 1985, o país não passou por escândalos de corrupção.
Essa lenda é facilmente desfeita ao constatar inúmeros casos ocorridos no período.
Não se sabe ao certo quantos casos ocorreram em âmbito nacional, já que, por ser uma ditadura, o governo tinha todos os mecanismos para censurar a imprensa e abafar esses crimes.
Conheça, nessa matéria, cinco casos de corrupção que a Ditadura não conseguiu manter em sigilo.

Do Delegado de vida dupla:

Sergio Paranhos Fleury foi um temido delegado que chegou a ser mandachuva do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) , órgão da Ditadura Militar responsável por investigar, prender e torturar militantes de esquerda. Fleury era considerado o diabo na terra e seu salário, oficialmente, era um pouco maior do que o de um policial comum. Vasculhada sua vida pessoal, descobriu-se, posteriormente, que Fleury havia enriquecido ilicitamente. Ele tinha barcos, casas, esquemas com tráfico e prostituição. O delegado chegou a ser denunciado pelo Ministério Público por se associar ao tráfico.

Fleury, em 1970

Fleury dava proteção a um famoso traficante conhecido como Juca”, que havia entrado em guerra com um rival. Segundo o MP, Fleury fuzilou o concorrente de seu protegido e prendeu parte da quadrilha. O delegado chegou a ser preso por assasinato, mas foi encoberto e ajudado pelas leis que garantia liberdade a réus primários com bons antecedentes.

O Caso Lutfalla

Esse caso envolve outro conhecido político sempre com o nome envolvido em falcatruas.
Paulo Maluf iniciou sua carreira política durante a Ditadura Militar, e foi nesse período que conseguiu arrancar privilégios do Estado que poucas pessoas até hoje conseguiram.
A esposa de Maluf possuía uma empresa que atuava na área têxtil e estava para decretar falência, porém, do dia para a noite, ela recebeu um empréstimo bem gordo do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento). No entanto, a empresa não tinha os requisitos necessários para emprestar dinheiro da instituição. E os juros cobrados eram bem abaixo de outras transações já realizadas pelo Banco.

Paulo Maluf abraça João Figueiredo


Durante as primeiras investigações, descobriu-se que o Ministro do Planejamento, Rei Velloso, estava envolvido. Entretanto, todos os envolvidos negaram as irregularidades e o escândalo ficou por isso mesmo.

As locomotivas da GE

Gerald Thomas Smilley, presidente da General Eléctrics no Brasil, confessou que pagou comissão para altos funcionários do governo Federal para que empresas estatais de ferrovias realizassem compra de locomotivas fabricadas pela gigante norte-americana. O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) investigou e emitiu relatório expondo um esquema de corrupção e suborno na indústria nacional de ferrovias.

O General e o Jornalista

O famoso jornalista Alexandre von Baumgarten que, na época, era colaborador do Serviço Nacional de Informação, órgão criado em 1964 para investigar inimigos internos do Regime, tinha informações para denunciar o famoso General Newton Cruz.

O caso na época foi chamado pela imprensa de “Dossiê”


Cruz estaria envolvido em um esquema de desvio de dinheiro através da empresa Agropecuária Capemi, instituição dirigida por militares do alto escalão, que ficou responsável pela extração e comercialização de madeira em várias localidades. Alexandre foi assassinado. As informações davam conta de que pelo menos 10 milhões de dólares haviam sido desviados. O General, muito próximo dos presidentes, foi inocentado e até hoje não se sabe quem mandou matar o jornalista. O caso mal foi investigado.

Caso Coroa-Brastel

O caso, denunciado por jornais e por Sulepúlvida Pertence, procurador Geral da República na época, envolve o nome de um economista muito conhecido: Delfim Neto.
Delfim e Ernane Galvêas, Ministro da Fazenda, em 1984, período do governo de João Figueiredo, foram acusados de terem participado de um esquema de desvio de dinheiro através de empréstimos concedidos pela Caixa Econômica Federal ao proprietário da Fábrica Coroa-Brastel, realizados em 1981. Galvêas foi absolvido 15 anos depois e a participação de Delfim teve as investigações encerradas.

Referências:

https://ceert.org.br/noticias/politica-no-brasil/7946/conheca-dez-historias-de-corrupcao-durante-a-ditadura-militar?fb_comment_id=914296498645399_1011598432248538

https://www.jusbrasil.com.br/noticias/busca?q=Caso+coroa-brastel

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi01109824.htm

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2015/04/01/conheca-dez-historias-de-corrupcao-durante-a-ditadura-militar.htm

https://oglobo.globo.com/brasil/de-maluf-brizola-odebrecht-relata-corrupcao-desde-decada-de-1980-21198724

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