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Três mulheres, um protesto, mais um funeral negro. A Origem do Black Lives Matter

“Minha culpa são ‘as correntes da escravidão’, por muito tempo/ O barulho do ferro caindo ao longo dos anos. /Este irmão vendido, esta irmã que se foi, /[…] /Meu crime são ‘os heróis mortos e esquecidos’, / […] Meu crime é estar viva para contar. / Meu pecado é ‘estar pendurada numa árvore’,/[…]/Meu pecado é não gritar mais alto”.

Esses versos de Maya Angelou traduzem de forma poética um pouco da luta do movimento negro nos Estados Unidos, uma luta que passou por diferentes momentos, mas que sempre foi marcada pelo desejo da população negra de alcançar seus direitos e ter a sua vida preservada.
Atualmente, quem encabeça essa luta é o movimento Black Lives Matters (BLM). Fundado em 2013, quando três ativistas negras se juntaram para protestar contra a absolvição de George Zimmerman, um vigilante de bairro, responsável pelo assassinato de Trayvon Martin, um jovem negro de 17 anos.

Travynor Martin e George Zimmerman

Diante da indignação provocada por essa absolvição, Alicia Garza, diretora da National Domestic Workers Alliance (Aliança nacional de trabalhadoras domésticas); Patrisse Cullors, diretora da Coalition to End Sheriff Violence in Los Angeles (Coligação contra a violência policial em Los Angeles; e Opal Tometi, uma ativista pelos direitos dos imigrantes, se uniram e deram início a um movimento cujo objetivo era combater a brutalidade policial praticada contra pessoas negras.

Alicia Garza, Patrisse Cullors , Opal Tometi – as três fundadoras do Black Lives Matter

Em 2014, o movimento se ampliou depois que Michael Brown foi assassinado pela polícia em Ferguson. Nessa ocasião, como forma de apoio aos manifestantes locais, o Black Lives Matters organizou uma “Marcha pela Liberdade” com 500 ativistas, dando início à construção de uma identidade entre os participantes, elemento fundamental para que o movimento pudesse ter continuidade. Desse modo, os ativistas voltaram para as suas cidades, mas seguiram juntos na construção de uma organização de caráter nacional.

Em 25 de maio de 2020, George Floyd foi morto durante uma abordagem policial em Minneapolis. O vídeo do homem negro sob o joelho de um policial branco, enquanto agonizava e dizia que não conseguia respirar, correu o mundo e serviu como estopim de uma onda de protestos que se espalhou por todos as partes dos Estados Unidos e chegou a vários outros países.

Black Lives Matter não era apenas uma hashtag, o grito de que vidas negras importam ganhou as ruas com uma força imensa, tornando-se, conforme alguns estudiosos, o maior movimento de protesto da história norte-americana.

Protesto , em 2013 após a absolvição do vigia

De acordo com matéria publicada no jornal El Pais, desde o dia 25 de maio até 7 de setembro, data da publicação, havia acontecido 7.750 manifestações associadas ao BLM, em duas mil localidades diferentes. Segundo a Civis Analytics, quase um em cada 10 norte-americanos adultos disse ter participado de alguma manifestação desse tipo.

Mesmo não tendo uma estrutura organizacional definida ou lançado um manifesto explicitando os seus ideais, o Black Lives Matter se tornou a voz da luta contra o racismo nos Estados Unidos. Para as suas criadoras, o movimento é uma “rede global dirigida por seus membros” e visa uma “uma intervenção ideológica e política em um mundo onde as vidas negras são sistemática e propositalmente marcadas para morrer”.

A busca por uma justiça racial é uma das principais bandeiras levantadas pelo movimento, contando com o apoio de personalidades importantes do cinema e do esporte, a voz do BLM tem ecoado por todo o país e tem alcançado um importante espaço de combate ao racismo e de defesa dos direitos da população afro-americana. O pecado de “não gritar mais alto” de que fala Maya Angelou parece estar sendo expiado. O grito de que vidas negras importam tem se feito ouvir não apenas no mundo virtual, mas tem ocupado as ruas e mostrado que a luta pela igualdade racial seguirá firme enquanto houver racismo e enquanto a cor da pele for tomada como um alvo.

Referências:
https://brasil.elpais.com/internacional/2020-09-07/black-lives-matter-o-rumo-incerto-do-grande-movimento-antirracista.html
https://blacklivesmatter.com
https://www.geledes.org.br/black-lives-matter-as-tres-mulheres-negras-por-tras-do-movimento-contra-o-racismo/

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/08/lutamos-contra-o-racismo-com-ferramentas-da-nossa-epoca-diz-fundadora-do-black-lives-matter.shtml

https://www.britannica.com/topic/Black-Lives-Matter

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