O revoltante caso Recy Taylor: mulher negra, estuprada por 6 brancos, que nunca foram punidos

A história da mulher negra que se recusou a ficar calada após ser estuprada por 6 homens brancos

Os estupradores saíram impunes, mas a luta de Recy por justiça ajudou a impulsionar o crescimento do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

No dia 3 de setembro de 1944, no Condado de Abbeville, Alabama, EUA, após um culto, a jovem Recy Taylor, de 24 anos, voltava pra casa quando foi sequestrada por homens armados. Colocada dentro de uma caminhonete e levada para uma floresta, foi estuprada por 6 homens brancos, durante várias horas.

Após o terrível crime, abandonada e muito machucada, conseguiu chegar em casa e contou ao marido. O casal foi até a delegacia do município e denunciou os agentes do delito.

O Alabama era um dos Estados mais racistas dos EUA. A polícia, mesmo com a confissão dos acusados e tendo provas como a caminhonete suja de sangue e restos de roupas no local do crime, resolveu não indiciar os 6 estupradores.

A comunidade negra, revoltada com a situação, entrou em contato com a NAACP (associação que lutava pelos direitos dos negros), o que fez com que vários ativistas negros comparecessem ao condado, dentre eles, advogados, médicos, políticos e Rosa Parks, mulher que ficaria famosa anos depois por se recusar a ceder lugar a um branco em um ônibus.

A pressão aumentou até ao ponto de a justiça do Alabama levar a própria Recy ao tribunal para que ela, vítima de estupro, provasse que não estava inventando a história toda. Com a repercussão aumentando, o governador do Alabama interveio e conseguiu fazer com que o tribunal de justiça realizasse um júri para saber se haveria possibilidade de abertura de processo. O júri, composto apenas de homens brancos, decidiu em 5 minutos que não havia indícios para a abertura de uma ação penal.

O episódio e a coragem de Taylor em enfrentar toda a sociedade racista ajudou a impulsionar a luta pelos Direitos Civis dos Negros, já que foi graças ao seu caso que muitas lideranças negras puderam se encontrar e se articular, criando fortes laços, os quais ajudariam na explosão do movimento uma década mais tarde.

Em 2011, o Legislativo do Alabama se desculpou oficialmente em nome do estado “por não ter processado seus agressores”. Taylor recebeu uma carta com o pedido e agradecimento por ter lutado para ser reconhecida como vítima de um estupro, cujos algozes saíram impunes.

Referências:

https://nmaahc.si.edu/blog-post/recy-taylor-rosa-parks-and-struggle-racial-justice

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/21/cultura/1503335815_821547.html

https://www.biography.com/activist/recy-taylor

https://www.nytimes.com/2017/12/29/obituaries/recy-taylor-alabama-rape-victim-dead.html

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