Os Esquadrões da Morte: os grupos que deram origem às milícias do Rio de Janeiro

Os esquadrões eram organização paramilitares, formadas a partir dos anos 60, que deram origem às milícias que hoje dominam regiões pobres do Rio de Janeiro.

O Esquadrão da Morte foi uma organização paramilitar surgida no final dos anos 1960, cujo objetivo era perseguir e matar criminosos tidos como perigosos para a sociedade.

Começou no antigo estado da Guanabara, comandada pelo detetive Mariel Mariscot, um dos chamados “12 Homens de Ouro da Polícia Carioca”, e se disseminou por todo o Brasil. Em geral, os seus integrantes eram políticos, membros do Poder Judiciário, policiais civis e militares e era mantida, via de regra, pelo empresariado. Estrutura bem próxima das encontradas nas milícias que dominam o Estado.

O mais famoso Esquadrão da Morte foi a Scuderie Le Cocq:

A Scuderie Le Cocq foi criada para vingar a morte em serviço de Milton Le Cocq, famoso detetive de polícia do estado do Rio de Janeiro, (antigo Distrito Federal), integrante da guarda pessoal de Getúlio Vargas.

Considerado pela polícia do Rio de Janeiro, Milton foi morto por Manoel Moreira, conhecido como Cara de Cavalo, um perigoso bandido que atuava na Favela do Esqueleto, na década de 1960, vendendo proteção aos banqueiros do jogo do bicho para que não roubassem seus pontos de jogo. O assassinato de Le Cocq comoveu tanto as forças de segurança como a população. Uma força tarefa de policiais, juízes, promotores e demais colaboradores se juntou e decidiram reescrever novas regras para a justiça aplicada na rua.

Com a entrada dos militares no poder, em 1964, e com a ajuda da legitimação popular, a partir do discurso de políticos como Carlos Lacerda, grupos de policiais passaram a agir por conta própria, sem nenhum padrão legal, matando meliantes perigosos, com passagens na polícia, ou simplesmente pessoas que, segundo o julgamento das autoridades policiais, teriam potencial para virar criminosos.

Os esquadrões da morte passaram a ganhar fama nas ruas, matavam e colocavam sobre o cadáver um cartaz com o nome e uma caveira para deixar claro quem havia feito o serviço.

Quando policial morria em serviço, os membros dos esquadrões da morte chegavam a ir em delegacias e presídios e executar os 10 marginais e cumprir a regra da retaliação.

Essas práticas ajudaram a criar e popularizar entre boa parte da população brasileira que chacinas, vinganças e execuções seriam a melhor forma de se fazer “justiça”.

O hábito de matar sumariamente virou tradição e a conivência das autoridades e legitimidade que a população passou a dar para esses assassinatos fizeram escola. Em poucos anos, boa parte da polícia do Rio do Janeiro e São Paulo agiam dessa forma, atiravam e depois perguntavam. A existência dos esquadrões da morte, segundo cientistas sociais, influenciou diretamente no estado de calamidade que se encontra a segurança pública no Rio, alterando para sempre a relação entre polícia e cidadão.

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Referências:

Cidade Partida – Zuenir Ventura
A República das Milícias – Bruno Paes Manso

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