Quem foi Herbert Richers, um conhecido seu de infância, e de quem, talvez, você nunca tenha visto uma só fotografia

O ano é 1991, começa a Sessão da Tarde, você, com 12 anos de idade, vai assistir ao filme “Rambo” pela terceira vez. Nos créditos iniciais, uma voz de locutor, grossa e calma, expressa as seguintes palavras: “Versão Brasileira Herbert Richers”. Esse slogan ficou marcado para sempre na vida de muitos brasileiros e, ele só existiu porque um homem construiu um império da dublagem, durante os anos 50 e que durou por várias décadas. Esse personagem é empresário, dublador e produtor cinematográfico Herbert Richers.

Nascido em Araraquara, interior de São Paulo, recebeu de seus pais, Guilherme Richers e Maria Luísa Wulfes, a paixão pelo cinema e os ensinamentos de toda a magia da sétima arte.

Paulista de nascimento, Richers foi para o Rio de Janeiro onde teve suas primeiras experiências como trabalhador da área do audiovisual no famoso Estúdio Atlântida, conhecida produtora de filmes, responsável pelas famosas Chanchadas, enlatados norte-americanos em versão tupiniquim, filmes que lançaram astros como Derci Gonçalves, Grande Otelo e Oscarito.

Herbert Richers com a câmera na mão


Richers se apaixonou pelo mundo das produções hollywoodianas e passou a aprender técnicas de dublagem e, com apenas 27 anos, abriu o famoso Estúdio “Herbert Richers SA”. Amigo pessoal de Walt Disney Richers, ampliou contato com os estúdios norte-americanos e tornou a empresa o maior estúdio de dublagem e distribuição de filmes da América Latina.

Ao longo de muitos anos, Herbert teve a exclusividade na produção de versões brasileiras que marcaram a infância, adolescência e vida adulta de muitas gerações de brasileiros. Sem seu trabalho, certamente, grande parte da população brasileira não teria acesso às produções cinematográficas de outros países. Já que, durante muitos anos, parte significativa da população era analfabeta e tinha muitos problemas em conseguir acompanhar legendas em versões com o som original.

Folha de Ribeirão Pires
Antiga casa de Herbert Richers


O estúdio chegou a dublar 150 horas de conteúdo por mês, atingindo a marca de 72% do mercado nacional de dublagem. E foi assim ao longo dos anos, até 2009, quando Herbert Richers faleceu em decorrência de um problema renal. A empresa, que já estava há anos perdendo espaço para concorrentes, que ofereciam serviço mais barato, foi vendida para um grupo de empresários, mas o estúdio não aguentou e, após um incêndio, fechou as portas.
No entanto, nem o falecimento de Herbert e o fechamento foram capazes de apagar o legado de seus feitos para a cultura pop nacional. Certamente, quando você ler esse texto, sua cabeça voltará ao passado e nostalgicamente ouvirá aquela voz eloquente, enquanto aparecem os créditos em letras grandes na tela de uma TV de tubo de 21 polegadas: “Uma produção da Warner Bros, versão Brasileira, Herbert Richers”.

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