A relação de naturalidade do homem da Idade Média com a morte

Entenda a naturalidade com que a morte era tratada durante a Idade Média


Na história ocidental, o fim da vida nem sempre foi motivo de dor ou visto como um bicho de sete cabeças

A morte e os rituais funerários nem sempre tiveram os significados e símbolos que conhecemos hoje. Durante séculos, “morrer” foi socialmente visto de inúmeras maneiras diferentes. Nosso recorte de exposição parte da Europa, principalmente em partes do continente que experimentaram o período denominado pelos historiadores como Idade Média.

A princípio, a morte era encarada com muita naturalidade. Os indivíduos e grupos não cultivavam o medo e o pavor que a sociedade do século XXI atribuiu ao fim da vida. Nessa época, a pessoa tinha a percepção de que iria morrer, principalmente quando era acometida por alguma enfermidade, já que a medicina era bem pouco conhecida, ou quando estourava uma guerra ou qualquer outro conflito armado. Cabia ao indivíduo que percebia a morte chegando, preparar o seu fim ao lado de sua família, em uma cerimônia totalmente privada, bem longe de qualquer poder público.

Geralmente, se esperava o fim deitado em algum leito, sem ao menos esboçar sinal de esperança. A convivência com a morte era muito mais pacífica e natural. Após o falecimento, o morto era submetido às exéquias: rituais fúnebres. Os parentes mais próximos carregavam seu corpo perto de uma igreja e o enterravam a sete palmos de terra. O luto não durava dias, como atualmente. Após o fim, a vida dos familiares e amigos seguia seu rumo, até o próximo membro do grupo sentir o final da caminhada se aproximando.

A morte repelida, como um mal, como fabricante de tragédias pessoais e ceifadora de vidas, é um fenômeno bem moderno nas sociedades ocidentais, que valoriza o corpo e a vida dos indivíduos e traz uma dor terrível a cada batida de pá na terra que cobrirá o ente querido à beira da sepultura.

A imagem da Tumb é um frame retirado do filme “O Sétimo Selo”, do diretor Ingmar Bergman. A foto mostra a morte levando seus escolhidos embora. Essa dança, faz parte de uma alegoria, criada na literatura do período medieval, chamada “Dança da Macabra”, e era usada para explicar a universalidade da morte. Quando ela chega, não importa as posses, a importância política, cor ou religião. A morte sempre levará quem ela quer.

Referências:

ARIES, Philippe. “História da morte no ocidente: da Idade Média aos nossos dias”. São Paulo: Ediouro, 2003.

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