A origem e história da primeira música sertaneja gravada no Brasil

A música Sertaneja Caipira sempre foi mais do que apenas som. Ela trouxe aos lares brasileiros histórias que nunca seriam registradas em livro. No momento de seu surgimento, no início do século XX, 70% da população brasileira vivia no campo, constituindo um Brasil agrário, onde o analfabetismo imperava, situação que tornava muito difícil o registro daquele mundo, de como o sertanejo, ou mais conhecido como caipira, interpretava o mundo em que viva e sua relação com a sociedade da qual fazia parte.

Vindo da Catira e de tradições culturais típicas dos indígenas, o Sertanejo Caipira se desenvolveu nas rodas juninas, período em que, na roça, os moradores de fazendas se reuniam para comemorar a colheita e confraternizar. A canções, que a princípio falavam da natureza, passaram, após alguns anos, a abordar histórias espetaculares sobre amor, traição, crime e muita, muita desgraça. Algumas letras são obras tão bem acabadas que poderiam ocupar um espaço na Academia Brasileira de Letras.

Foi impressionado com esse potencial que Cornélio Pires, um grande jornalista, etnógrafo e folclorista brasileiro, a voltar para Tietê, sua terra natal, no interior de São Paulo, passou a catalogar e registrar as letras dessas músicas e resolveu encabeçar o projeto do primeiro disco brasileiro de Música Caipira. Viajando pelo interior paulista, Cornélio conseguiu juntar um grupo de músicos, o qual batizou de Turma Caipira, entre os membros estavam Caçula e Mariano, que formariam a primeira dupla sertaneja a fazer sucesso no país. Para realizar seu intento, o jornalista precisou travar uma dura batalha contra as gravadoras da época, que, por incrível que pareça, não se interessavam pelo sertanejo, afinal, quem iria querer gravar músicas de um bando de caipira que falava o português informal?

Cornélio, então, angariou dinheiro através de empréstimos e com patrocinadores locais e conseguiu, em 1929, gravar a primeira música Sertaneja em Disco, a canção foi chamada de “Jorginho do Sertão” e, cantada por Caçula e Mariano, contava a história de Jorginho, um caipira carpidor de café que tem a chance de escolher uma das três filhas de seu patrão para casar.

“O Jorginho do Sertão
Rapazinho de talento
Numa carpa de café
Enjeitô treis casamento
Logo veio o seu patrão
Cheio de contentamento
(tenho treis filhas “sorteira que
Ofereço em casamento) “

O disco foi um sucesso estrondoso e muitas pessoas, que não tinham nem energia elétrica em suas casas, compraram a relíquia para guardar. Com o avanço do rádio e a expansão da energia elétrica para regiões interioranas, o Sertanejo Caipira virou a música, assim como o samba, que mais dialogava com a população brasileira da época.

Suas letras, compostas aos montes após o primeiro disco, representavam histórias do campo, falavam sobre comidas típicas, vingança, romances, vidas de viajantes pelo interior dos rincões brasileiros, toque de gado e uma série de outras tradições e hábitos típicos da cultura caipira.

Referências:

http://evidenciasertaneja.com/a-primeira-musica-sertaneja-caipira-gravada-no-brasil/

https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_sertaneja

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura_caipira

Please follow and like us: