A revolta IGBO: A história dos homens negros que tomaram o navio negreiro e cometeram suicídio para se livrar da escravidão

Durante a viagem, os igbos mataram os traficantes e se jogaram nas águas geladas da Geórgia

Muitas são as histórias de resistência africana à escravidão. Dentre essas histórias, aquela que ficou conhecida como o “Desembarque de Igbo” se tornou extremamente simbólica em função de seu desfecho e de toda a repercussão que ela ganhou ao longo do tempo.

“Igbo Landing”, de Diana “Dee” Larue Williams

Landing Igbo é um local histórico de Dunbar Creek, na Geórgia. Ali, 75 escravizados de etnia igbo, provenientes da região onde hoje se localiza a Nigéria, se deixaram afogar nas águas do Dunbar Creek para se livrarem da vida de escravidão que enfrentariam em solo americano.

Comprados por Joh Couper e Thomas Spalding por cerca de cem dólares, eles chegaram ao porto de Savannah, na Georgia, em 1803. Nesse local, foram acorrentados e levados para um barco que os conduziria até St. Simons Island, onde seriam revendidos em uma feira de escravizados.

Ilustração de Donovan Nelson

Durante a viagem, os igbos se rebelaram, afogaram seus captores e provocaram o aterramento do navio em Dunbar Creek. Em seguida, se lançaram nas águas pantanosas do rio, numa ação que ficou conhecida como o maior suicídio em massa de pessoas escravizadas.

Ilustração de Donovan Nelson

Não se sabe se a intenção deles era realmente se afogar ou se esperavam que o espírito da água Omambala, conforme mencionado em um canto igbo, os conduzisse de volta à sua terra natal, mas, simbolicamente, o ato praticado por esse grupo passou a ser interpretado como uma forma de resistência à escravidão, indicando que é preferível a morte a ser escravizado.

Há controvérsias a respeito do que realmente aconteceu. Durante muito tempo, o episódio chegou a ser negado por historiadores, que o tratavam como lenda, no entanto, pesquisas comprovaram que o fato realmente ocorreu e passou a ser considerado a primeiro ato de resistência africana contra a escravidão nos Estados Unidos.

Ilustração de Donovan Nelson

O local ficou conhecido como sagrado pela comunidade afro-americana e a história do desembarque é contada nas escolas da Geórgia. Além disso, várias representações artísticas e literárias foram produzidas narrando esse acontecimento. Dentre elas, destacam-se o clipe da música “Love drought”, de Beyoncé, e a fala final do personagem Killmonger em “Pantera Negra”: “Enterre-me no oceano com meus ancestrais que saltaram de navios, porque eles sabiam que a morte era melhor que escravidão”.

Referências:

https://face2faceafrica.com/article/the-tragic-yet-resilient-story-of-igbo-slaves-who-committed-mass-suicide-off-u-s-coast-in-1803?fbclid=IwAR2wJ6DhqymNtLjsci8ygjpmDCwBNi3nAjKu2RGtajSyFLltXrP8gX1aPXk

https://www.blackpast.org/african-american-history/igbo-landing-mass-suicide-1803/

https://www.savannahtribune.com/articles/celebrating-black-history-month-remembering-the-igbo-landing/

https://medium.com/@chikaoduah/black-history-month-remember-igbo-landing-and-the-flying-africans-16686b2f25dc

http://www.georgiaencyclopedia.org/articles/history-archaeology/ebos-landing e http://www.glynncounty.com/History_and_Lore/Ebo_Landing/ )

Please follow and like us: