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Cloroquina de limão: como a falta de remédios na Gripe Espanhola popularizou a caipirinha

A caipirinha é uma das bebidas mais conhecidas do Brasil. Carro chefe de nossas tradições alcoólicas, é possível encontrá-la nos mais variados lugares do país.

Segundo o grande antropólogo e folclorista Câmara Cascudo, a bebida surgiu no interior de São Paulo, na região de Piracicaba, e suas origens estão ligadas à abundância da cana, cachaça e limão. A princípio, a bebida era restrita ao interior paulista, até ganhar contornos nacionais por conta de uma grande tragédia.

Em 1918, quando soldados brasileiros trouxeram para o país a Gripe Espanhola, o Brasil estava completamente despreparado para conter a famosa pandemia que ceifou a vida de pelos menos 100 milhões de pessoas.

Quando a enfermidade aportou por aqui, o país foi subjugado e as capitais e interiores viraram um cenário horrível de mortos e doentes.

Pessoas eram jogadas nas praças para morrer, faltavam leitos, caixões, hospitais, ambulâncias, profissionais da saúde. Mas o que mais fez falta ao brasileiro foi um remédio que pudesse dar alento, prevenir ou remediar a terrível doença.

Foi nessa situação, com as mortes aumentando drasticamente e as pessoas procurando uma solução fácil, que começou a se espalhar de boca em boca uma receita que misturava limão, cachaça e mel. Diziam à boca pequena que o produto era capaz de evitar, de forma precoce, a instalação da doença ou curá-la. Teorias foram criadas e a caipirinha passou a fazer parte do cardápio de bares, virou bebida comum nas casas das pessoas.

Após o estrago feito pela Gripe Espanhola, a bebida ficou popular em todo o Brasil. E, até hoje, ela está aí, em churrascos, em festas e em confraternizações, sendo bebida em aglomerações clandestinas que burlam, de forma terrível, o isolamento social que salva vidas.

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