O Levante de Soweto: a luta de estudantes sul-africanos por melhores condições de ensino

O apartheid marcou a África do Sul até o ano de 1991, mas em 16 de junho de 1976, teve início uma série de protestos organizados por estudantes em Soweto, distrito que fica localizado ao sul de Johannesburgo, que contribuíram para que esse regime segregacionista chegasse ao fim.

Além de protestarem contra a segregação racial, os jovens pediam melhores condições na educação. O sistema educacional do país era marcado por um imenso abismo entre brancos e negros. Enquanto os negros tinham que pagar colégios privados superlotados e com professores com qualificação deficitária, os brancos tinham acesso à educação pública e de qualidade. Isso ampliava ainda mais as desigualdades e gerava um grande descontentamento nessa população que já sofria com a segregação racial.

Jovens carregam o corpo de um estudante morto durante o confronto

O episódio ficou conhecido como “Levante de Soweto” e teve início quando um grupo de estudantes negros do ensino médio se rebelou contra a decisão do governo de tornar obrigatório nas escolas o ensino de africâner, idioma falado pela elite branca que dominava o país.

A revolta pelo ensino de má qualidade se juntou ao inconformismo com a imposição de uma língua com a qual esses jovens não se identificavam e culminou no levante que entrou para a história do país.  Proibidos de estudarem o “bantu”, língua nativa dos moradores de Soweto, e obrigados a estudarem africâner e inglês, esses jovens viram a sua identidade sendo-lhes tirada e encontraram na mobilização coletiva uma forma de lutar contra isso.

Em 16 de junho, 20 mil estudantes foram para as ruas para protestar de forma pacífica. A manifestação, porém, foi considerada ilegal e sofreu forte repressão policial. A foto do corpo de Hector Piterson, estudante de 13 anos assassinado durante o protesto, estampou as páginas de jornais do mundo inteiro e se tornou um símbolo da luta contra a repressão que acontecia na África do Sul.  

Confronto entre policiais e manifestantes

A morte de Piterson fez com os estudantes reagissem aos ataques das tropas de segurança e mais 22 estudantes foram mortos durante o confronto.

A violência policial praticada em Soweto fez com que os protestos se espalhassem por outras partes do país e a resistência negra contra o apartheid se consolidasse. As manifestações seguiram-se o longo dos meses e estima-se que mais de 500 estudantes morreram e milhares ficaram feridos em meio ao confronto com a polícia.

Galpão pega fogo durante o protesto

Junto com o aumento da resistência, veio também o aumento da repressão. Milhares de pessoas foram presas ou exiladas, mas isso não impediu que a luta continuasse até finalmente chegar ao fim do apartheid.

A manifestação foi tão importante que o dia 16 de junho foi instituído como o Dia da Juventude e se tornou feriado nacional na África do Sul. O Levante de Soweto se tornou um símbolo de resistência contra o apartheid, que chegaria definitivamente ao fim em 17 de março de 1991.

Referências:

https://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/o-levante-de-soweto-10992579

https://www1.folha.uol.com.br/esporte/751686-levante-de-soweto-move-sul-africanos.shtml

https://www.bbc.com/portuguese/lg/noticias/2009/06/090616_copaapartheid_rc_ac

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