Câmara Cascudo: um dos maiores estudiosos do folclore brasileiro

Quando pensamos no folclore brasileiro, um nome sempre é lembrado: Câmara Cascudo, um dos grandes responsáveis por reunir lendas, superstições, cantigas, crendices populares e tantos outros elementos que constituem a nossa cultura popular.

Luís da Câmara Cascudo nasceu em Natal, em 1898. Filho de uma família abastada da cidade, ele se formou em Direito e etnografia e chegou a cursar Medicina, porém desistiu de se tornar médico.

Ao longo de sua trajetória, exerceu as profissões de historiador, antropólogo, professor da Faculdade de Direito de Natal, advogado e jornalista, mas foi através de seus estudos sobre o folclore brasileiro que deixou seu nome marcado em nossa história.

Em 1918, publicou seu primeiro texto no jornal “A Imprensa”, que pertencia ao seu pai. No ano de 1921, publicou seu primeiro livro, “Alma Patrícia”, no qual apresentava um estudo crítico e bibliográfico de dezoito escritores e poetas do Rio Grande do Norte.

Em 1922, mudou-se para o Recife, onde vai cursar Direito. Nessa época, já estava envolvido com as ideias do Modernismo Brasileiro e tinha voltado o seu olhar para o resgate da cultura brasileira.

Ele volta a Natal em 1928, após a conclusão do curso de Direito e ali passa a residir permanentemente. No dia 21 de abril de 1929, casou-se com Dhália Freire, com quem teve dois filhos.

Em 1932, seu pai passa a enfrentar dificuldades financeiras e Câmara Cascudo começa a lecionar no Atheneu Norte-rio-grandense e a ser o principal responsável pelo sustento da família.

Paralelamente ao trabalho como professor, segue publicando livros e estudando o folclore, visto por ele como um caminho para compreender o Brasil. Seu interesse pelos costumes, lendas e tradições do país surgiram ainda na infância, quando viajou para o sertão com a sua mãe e ficou fascinado pelas histórias de assombração que ouviu, pelas festas e comidas típicas.

Cascudo trocou muitas cartas com Mário de Andrade e, no final de 1928, fez junto com ele uma viagem da qual resultou o seu livro “Vaqueiros e Cantadores”. Monteiro Lobato também foi um grande admirador de sua obra e incorporou elementos de sua pesquisa às histórias do “Sítio do Picapau Amarelo”.

Em 1954, publicou uma de suas obras mais importantes: o “Dicionário do Folclore Brasileiro”, obra fundamental para compreender como se constituem as tradições populares de nosso país.  

Seus estudos etnográficos foram fundamentais para o recolhimento de estórias orais que marcavam a literatura popular. Além disso, em seu trabalho estabelecia comparação com outras culturas, permitindo-lhe um olhar que ia além do Brasil. Suas viagens por Angola, Guiné, Congo, São Tomé, Cabo Verde e Guiné-Bissau lhe renderam material para escrever seus livros “A cozinha africana no Brasil”, de 1964 e “História da alimentação no Brasil”, publicado em dois volumes lançados em 1967 e 1968.

Autor de uma vasta obra, Câmara Cascudo deixou como legado um olhar profundo para os mitos e lendas do Brasil, para as cantorias e danças populares, mostrando o saber do povo que estava por trás dessas composições. Para ele, “A cultura popular é a criança que continua em nós, em nossa formação cultural e social. Tudo numa paralela: de um lado, as superstições, os mitos e as histórias que nossa mãe nos contou, de outro o que aprendemos na escola, no dia-a-dia da cidade, as viagens e as máquinas. A cultura primitiva prolonga-se na cultura geral e nunca desaparecerá”.

Usando uma linguagem leve e poética, Câmara Cascudo registrou o cotidiano de alimentação, moradia e vestuário do povo brasileiro, apresentou seus rituais de nascimento e morte, coletou suas histórias orais, suas músicas, gestos e lembranças, mostrando que todos esses elementos são constitutivos da identidade do brasileiro.

Ele morreu em 30 de julho de 1986, mas deixou seu nome registrado como um dos maiores estudiosos do folclore brasileiro.

Referências:

http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2012/12/camara-cascudo-pai-do-folclore-brasileiro-e-o-amor-terra-natal.html

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2008/12/10/camara-cascudo-o-narrador-do-folclore-brasileiro

LIMA, Matheus Silveira. “Percurso intelectual de Luís da Câmara Cascuda: Modernismo, Folclore e Antropologia”. Perspectivas, São Paulo, v. 34, p. 173 – 192, jul./dez. 2008.

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