O tronco e suas influências na cultura violenta da Sociedade Brasileira.

O Brasil passou por muitos e dolorosos anos de escravidão. As influências desse terrível período são observadas, de forma explícita e implícita, até hoje.

Controlados a ferro e fogo, as pessoas escravizadas, que ousavam se rebelar, eram amarradas a um tronco e chicoteadas inúmeras vezes. Mais do que um castigo, o tronco, ou pelourinho(versão do tronco colocada nos centros das cidades), possibilitava a humilhação pública do cativo, criando uma espécie de simbolismo, de que o escravo que ali estava sendo açoitado teria feito algo de errado.

Nos dias de castigo, a população, atônita para “apreciar” a surra, conjecturava entre os pares qual teria sido o crime ou desobediência que levou aquele escravizado ao tronco.
O suplício do homem e mulher negra, se tornou um espetáculo de violência que, segundo o Sociólogo José de Souza Martins, contribuiu para a apreço de parte da sociedade brasileira por linchamentos e situações de abuso, onde usa-se da violência privada para torturar pessoas.

Em suma, nossa herança cultural, vinda da violência contra os escravos, criou em parte significativa da sociedade brasileira uma certa complacência em relação ao ato da tortura. A reação de nossos ancestrais, ao se depararem com atos de tortura públicos, consistia sempre em procurar algo para justificar o merecimento das chibatadas que dilaceravam as costas do cativo, dando, dessa forma, razão para os algozes e estigmatizando ainda mais as vítimas do terrível castigo.

A visão do passado nos traz terríveis percepções do presente. E é assim que caminhamos, no Brasil atual, em pleno Século XXI, nas inúmeras redes sociais, onde pessoas procuram, a qualquer custo, novas justificativas para condenar o homem do tronco e legitimar a ação do segurador da chibata.

Parece que pouca coisa mudou!

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