Os soldados ribeirinhos cruelmente torturados pela Ditadura Militar

A ditadura não torturou apenas civis e militantes da luta armada (que o governo chamava de terrorista), mas também estendeu suas garras alcançando o corpo e as mentes de soldados.

Durante a combate à Guerrilha do Araguaia, em 1967, no sul do Pará, um grupo de soldados ribeirinhos foi formado no intuito de facilitar a circulação das forças armadas pelo local, já que conheciam o espaço.

De forma compulsória, esses jovens, alguns com 16 anos, foram recrutados à força e passaram por um treinamento desumano para servirem como instrumento do Regime na região.

Os 60 soldados passaram por momentos tenebrosos, que incluíam tomar sangue de boi e cobra coagulados, torturar pessoas, executá-las, arrancar dentes e colocar pessoas conhecidas, às vezes até amigos, no pau de arara.

Os relatos são horríveis: Soldados que perderam os testículos de tanto apanhar de oficiais.

Constante apagamento de cigarros no rosto e corpo dos recrutas.

Dormir nu com o corpo cheio de melaço no meio da floresta.

As torturas foram tão cruéis que a maioria desses homens desenvolveu transtornos psicológicos e, os que sobreviveram, de lá pra cá, não têm boas noites de sono.

Além de toda a tortura, os soldados ribeirinhos foram desligados do exército sem receberem nem os últimos soldos.

Atualmente os ex-soldados lutam por justiça. Por indenizações. Muitos deles não dormem mais a noite, desenvolveram problemas urinários. Alguns se suicidaram. Mas todos eles foram abandonados pelo Estado brasileiro.

A história pode ser conferida no documentário: “Os Soldados do Araguaia”

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