Como companhias usaram a figura da “aeromoça” para aumentarem suas vendas e diminuírem o medo de voar dos homens

Além da sexualização a psicologia reversa ajudou bastante a popularizar as viagens do transporte aéreo

O trabalho de comissário de bordo é bastante antigo, sua trajetória acompanha a história e evolução da aviação. A profissão chegou a ser reconhecida como predominantemente feminina e a função foi denominada “aeromoça”.
As aeromoças passaram a ser contratadas na década de 1930, quando a segurança aeronáutica ainda era bastante precária e a indústria de aviões dava seus primeiros passos. A princípio, as aeromoças eram enfermeiras que prestavam socorro aos passageiros vítimas de vertigens ou efeitos colaterais nos voos. Mas, após a Segunda Guerra Mundial, com o avanço extraordinário da aviação, o ramo aeronáutico realizou investimentos pesados para expandir os negócios.

Propaganda da United Airlines em 1963

O grande problema do segmento é que a maioria das pessoas não confiava em aviões e tinha pavor de voar. Foi pensando nessas questões que empresas norte-americanas e europeias passaram a contratar comissárias de bordos e a exigirem que elas tivessem delicadeza e se enquadrassem em um padrão de beleza antagônico à figura da dona de casa. Primeiro, para causar boa impressão nos voos e, segundo, para mostrar aos homens, que, na época, eram a maior parte dos clientes, que até uma moça delicada tinha coragem de voar nos aviões.
Foi através do uso dessas estratégias de psicologia reversa, desafiando egos masculinos, mas também fazendo exploração do corpo e das características femininas, combinadas ao luxo dos aviões, que permitiram à indústria aeronáutica crescer exponencialmente no pós-guerra.

Para se ter uma ideia, a empresa texana Branniff chegou a impor limite de idade de 32 anos às aeromoças e exigir que elas não constituíssem matrimônio. Em algumas companhias, as profissionais chegavam a ser pesadas e tinham as medidas tiradas constantemente. Caso engordassem, poderiam ser demitidas.
Parte expressiva das empresas de aviação investiram, nos anos 60 e 70, na criação da imagem sensual das profissionais, criando fantasias infames na cabeça de muita gente. O uniforme de aeromoça chegou a ser um dos mais procurados em sexshops nos Estados Unidos.

Propaganda da Braniff em 1970

Devido à exploração, às exigências absurdas e ao avanço dos sindicatos dos comissários de bordo, pouco a pouco, a indústria aeronáutica ligada à aviação comercial passou a abandonar tais práticas. Mas, ainda hoje, sempre tem algum energúmeno inconveniente que, realizando a leitura histórica dessa imagem constituída, dá uma assediada ou cantada idiota na trabalhadora.

Obs: aeromoça é o nome popular para a profissão de comissária de bordo. Que tem como função principal zelar pela segurança dos passageiros em voo.

Propaganda da Malasya

Referências:

The Air Stewardess in Advertising 1934-1989

https://www.pbs.org/newshour/amp/nation/its-pervasive-its-every-day-how-a-history-of-sexism-in-the-airline-industry-echoes-today

https://www.google.com/amp/s/amp.dw.com/pt-br/aeromo%25C3%25A7as-uma-profiss%25C3%25A3o-entre-o-glamour-a-m%25C3%25ADdia-e-o-medo/a-2164996

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