Subiu o morro como Antônio desceu como Nem

História de Nem da Rocinha o traficante amado pela população, odiado pela polícia, e um dos bandidos mais procurados da história do país

“O que você faria no meu lugar?” é a pergunta que Nem da Rocinha repete a cada vez que é questionado sobre a sua entrada no mundo do crime, em uma época na qual ele jamais imaginaria se tornar um dia o dono da Rocinha.
Antônio Francisco Bonfim Lopes nasceu em 1976, na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Cresceu na Paraíba, mas retornou o Rio, onde se casou e teve uma filha, Eduarda.

Comunidade da Rocinha tem mais de 80 mil habitantes. (O Globo)

Quando a garota completou nove meses, recebeu o diagnóstico de uma doença rara e que precisava de tratamento imediato. Na época, Antônio trabalhava como operador de TV a cabo da NET e, sem dinheiro, decidiu subir o morro e pedir ajuda ao chefe do tráfico.

No dia 22 de maio de 2000, ele procurou Lulu, o dono do morro na época, e ofereceu seus serviços ao traficante em troca de 20 mil reais para bancar o tratamento da filha. Assim, nascia Nem, o traficante que se tornou um dos principais líderes do tráfico do Rio de Janeiro.
No tráfico, ele rapidamente foi galgando posições, começou como segurança e logo se tornou o braço direito de Lulu, traficante que conseguia manter a Rocinha sob relativa calma.

Lulu da Rocinha, homem que recrutou Nem para o tráfico de drogas

Em 2004, entretanto, Lulu se recusou a dividir o comando da comunidade com Dudu e uma disputa entre os dois traficantes foi iniciada. O saldo desse conflito foi a morte de Lulu e o caos na Rocinha.

Conforme Nem, nesse momento, ele até tentou deixar o tráfico e recomeçar a vida trabalhando como taxista, mas já estava tão envolvido no mundo do crime, que não conseguiu sair. Desse modo, após várias disputas de poder, ele assume o comando da Rocinha e amplia os lucros de sua quadrilha, atingindo cifras de 10 a 15 milhões de reais por mês. Aliado a isso, investe em ações que reduzam a violência dentro da comunidade e ofereçam benefícios para a população.

Casamento de Nem com Danúbia, sua companheira e muito famosa na comunidade

Agindo dessa forma, ele angariou a simpatia dos moradores da Rocinha, reduziu a violência e garantiu a presença da classe média nos bailes funks, aumentando ainda mais os lucros, pois eles consumiam os produtos de sua quadrilha.
Ao longo de quase sete anos, Nem foi o rei da Rocinha e atingiu um patrimônio de cerca de 100 milhões de reais. Em 9 de novembro de 2011, ele foi preso e acusado de tráfico de drogas, armas e formação de quadrilha,

Atualmente, Nem cumpre pena em uma penitenciária de segurança máxima, em Porto Velho, Rondônia. Nesse presídio, ele passa por um rigoroso regime disciplinar, marcado por 22 horas dentro de uma cela individual sem TV e com apenas duas horas de banho de sol. Para ocupar seu tempo, ele joga xadrez à distância com um vizinho de cela e lê uma grande variedade de obras.

Nem é preso pela polícia. (Beatriz / AVA)

Condenado a penas que somam mais de 96 anos, Nem espera pela sua saída da cadeia e afirma que não vai mais se envolver com o mundo do crime, embora frequentemente saiam notícias que digam que ele continua comandando ações do Terceiro Comando Puro (TCP), ao qual se filiou depois que a sua facção Amigos dos Amigos foi desmantelada. Há quem afirme que esse grupo tenha ligações com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e que Nem tenha se filiado à facção paulista, o que ele nega com veemência. Em suas entrevistas, ele afirma que vive em isolamento completo dentro da penitenciária, sendo impossível dar ordens de dentro do presídio, mas reconhece que acha o PCC muito mais organizado que as diferentes facções que disputam poder no Rio de Janeiro.

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Referências:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/13/politica/1520947959_760179.html
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/nem-da-rocinha-pega-66-anos-de-prisao-por-morte-de-modelo-e-de-amiga.shtml
https://veja.abril.com.br/brasil/traficante-nem-da-rocinha-e-preso-na-zona-sul-do-rio/
https://piaui.folha.uol.com.br/tregua-negociada-atras-das-grades/

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