O covarde assassinato de Galdino no coração de Brasília

Queimado vivo por playboys, filhos de gente poderosa de Brasília, o falecimento de Galdino acendeu a discussão sobre crime e castigo no Brasil

Galdino Jesus dos Santos nasceu na Bahia em 1952. Criado no seio do povo Pataxó, logo cedo, ele se constituiu como um líder da causa indígena e virou conselheiro de sua tribo.

Carteira de trabalho de Galdino

Durante a semana do “Dia do Índio”, Galdino e outros líderes viajaram até Brasília para participar de reuniões com membros do executivo federal. Os líderes levavam reinvindicações em relação à recuperação da terra indígena Caramuru-Paraguaçu, que havia sido tomada dos povos indígenas por latifundiários e grileiros.

Hospedado em uma pensão, Galdino saiu, no fim da tarde do dia 19 de abril, para participar de uma reunião com Fernando Henrique Cardoso, presidente na época, e de comemorações para homenagear a cultura indígena.

Com o término do evento tarde da noite, Galdino não pôde entrar na hospedaria. Então, desesperado e muito cansado, acabou dormindo no abrigo de um ponto de ônibus.

Na madrugada de 20 de abril de 1997, enquanto o índio dormia, cinco jovens da alta classe de Brasília, que estavam bebendo e frequentando as baladas da cidade, resolveram colocar fogo em Galdino. Eram eles: Max Rogério Alves, Antonio Novely Vilanova, Tomás Oliveira de Almeida, Eron Chaves Oliveira e Gutemberg Nader Almeida Junior, (menor de idade na época do crime)

Retrato dos jovens assassinos

Os assassinos observaram o homem dormindo ali, foram até o posto de gasolina, compraram dois litros do combustível, voltaram ao ponto, encharcaram e colocaram fogo em Galdino.

Os jovens assassinos chegam à delegacia

O indígena, desesperado, tentou correr, achar um lugar para conseguir apagar o fogo que tomava conta de seu corpo, mas caiu desfalecido após alguns minutos de tortura.

Há testemunhos que dizem que enquanto o índio se retorcia em dor, os jovens riam da situação.

Galdino no hospital

Galdino foi levado ao hospital e a repercussão do crime foi imediata. Os principais meios de comunicação cobriram o caso. Os criminosos, filhos de poderosos, foram expostos para todo o país. Chegaram a dar entrevista dizendo que a ideia era “Fazer apenas uma brincadeira” e que eles pensavam que era “um morador de rua”, como se pessoas nessa situação não merecessem estar vivas.

Crianças aprendem sobre a história de Galdino

O índio morreu horas depois em consequência das queimaduras. O crime causou protestos em todo o país e até hoje é relembrado como uma triste parte da história brasileira. Afinal, não há nada de novo sob o sol, em ver, no Brasil, homens brancos e poderosos matando indígenas. Há 520 anos isso acontece.

Amigos de Galdino observam as fotos do crime

Protestos em Brasília , 1997

Referências:

https://www.geledes.org.br/tag/indio-galdino/

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/04/20/interna_cidadesdf,675182/amp.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff210401.htm

http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/envolvido-na-morte-do-indio-galdino-nao-pode-seguir-carreira-policial-diz-mpf

https://www.jusbrasil.com.br/topicos/27365216/caso-indio-galdino

Foto no hospital: ED FERREIRA/20.04.1997/AE

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