A interessante história do encontro no qual Padre Cícero convenceu Lampião a virar funcionário público

O governo brasileiro, em 1927, preocupado com o avanço do movimento “Coluna Prestes” – grupo de tenentes e soldados do exército brasileiro revoltados com baixos salários e condições da população brasileira – passou a buscar no Nordeste forças para combater o avanço do movimento revoltoso. Uma das estratégias do governo foi tentar uma aliança com o grupo mais temido do cangaço nordestino: o Bando de Lampião.

Mas como tornar Lampião e seu bando funcionários a serviço do governo dos estados nordestinos, já que eram inimigos mortais?

Quando a Coluna Prestes se aproximou do estado do Ceará, o deputado Federal Floro Bartolomeu teve a ideia de procurar Padre Cícero e propor ao beato que usasse a sua influência para convencer Lampião a entrar em confronto com os revoltosos liderados por Luiz Carlos Prestes. O político escreve uma carta e padre Cícero endossa.

Lampião recebe a carta e segue para Juazeiro (morada de padre Cícero); acampa com 49 homens perto da cidade e mais de 4 000 curiosos vão vê-lo. No mesmo dia, se encontra com o Padre Cícero e recebe uma patente de capitão dos Batalhões Patrióticos, assinada, acredite, por um funcionário do Ministério da Agricultura. Mais tarde, esse homem diria que, naquelas circunstâncias, assinaria até a exoneração do presidente. Todos os cangaceiros recebem uniformes e fuzis.

Já tendo tomado a benção de Padrinho Cícero, Lampião e seu bando partem decididos a cumprir o combinado. Mas na divisa com o estado de Pernambuco são perseguidos pela polícia, o comando da tropa não acreditou que Lampião pudesse carregar uma insígnia de capitão militar. O desconhecimento e estranhamento por parte dos policiais decepciona o cangaceiro, que, ali mesmo, se revolta e entra em confronto armado com as tropas governamentais, encerrando de vez a curta vida de funcionário público.

Semanas após o confronto, Lampião volta para falar com o Padre Cícero. Porém o beato não quis recebê-lo. Revoltado com a organização do Estado Brasileiro, o cangaceiro interrompe sua carreira de defensor público e retoma a rotina de crimes, à margem da legalidade.

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