A Grande Fome da Batata: terrível evento que mudou a história da alimentação no mundo

O evento catastrófico, que matou muitos irlandeses de fome e propiciou a emigração em massa, mudando para sempre a história do país

A batata chegou na Irlanda em meados do século XVI. O tubérculo, bastante nutritivo, se adequou muito bem ao clima úmido e tipo de terra irlandesa. Em poucos anos, a comida se transformou na base da alimentação do país e, rapidamente passou a estar presente na mesa dos irlandeses das mais variadas formas.

“Sepultando a Criança”
(quadro de Lilian Lucy Davidson)

Em 1845, uma praga tomou conta das plantações de batata. Hoje, sabe-se que tratava da “phytophthora infestans”, um fungo transportado pelo ar que apodrecia as batatas antes mesmo de serem colhidas.

A agricultura no país era praticamente uma monocultura. Muitos trabalhadores e famílias dependiam não apenas do tubérculo como comida, mas também como atividade econômica.

Entre 1846 e 1847, para piorar a situação, o inverno se apresentou como um monstro gelado e terminou aumentando e aprofundando a crise econômica e social pela qual o país passava.

Monumentos em Dublin lembram a Grande Fome

Nesse período, muitas pessoas morreram de fome, corpos esqueléticos vagavam pelas ruas em busca de algo para comer. O desemprego atingiu 2 em cada 3 irlandeses, fatores que forçaram a emigração em massa.

Muitos desses homens e mulheres foram para os Estados Unidos, em lugares como Boston e Nova York. A maior cidade dos Estados Unidos chegou a ser composta por 25% de irlandeses.

Velhos navios negreiros e barcos deixavam a Irlanda todos os dias com milhares de pessoas, que se arriscavam na travessia de mais de 5 mil quilômetros pelo Atlântico.

Devido às condições de higiene e alimentação em alto-mar, o índice de pessoas que chegavam ao destino era tão baixo que essas embarcações ganharam o nome de “navios caixão”.

Monumentos em Dublin lembram a Grande Fome

Estima-se que, nessa época, 40% da população tenha morrido de fome ou emigrado do país. As saídas em massa já eram um fenômeno anterior, porém aumentaram muito com a crise da batata.

Próximo a 1850, o país voltava a se reestabelecer. A monocultura da batata foi substituída por uma variação maior de plantio, outros tipos de alimentos foram adicionados à produção agrícola.

A fome da Irlanda também modificou o pensamento sobre alimentação no mundo, fazendo com que a indústria e a agricultura nacionais de vários países tivessem maior preocupação em manter o plantio variado e fornecer uma base de alimentação mais diversificada.

Em sua obra “They United Irishman”, John Mitchell faz a seguinte afirmação: “O Senhor de fato nos enviou a praga da batata, mas os ingleses criaram a fome”, reforçando uma visão corrente no país de que a política britânica que causou a fome em massa na Irlanda constituiu um “genocídio” do povo irlandês, se considerarmos como esse termo hoje é legalmente definido pelas Nações Unidas.

Texto – Joel Paviotti

Referências:


http://apolloex perience.com.br/2019/09/boom-economico-e-oportunidades-de-carreira-2-2/

https://www.homestead.org/vegetables/history-of-potatoes/

https://www.atlasobscura.com/articles/history-of-potatoes-parmentier

https://evosite.ib.usp.br/relevance/IIAmonoculture.shtml

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