A triste história dos órfãos da AIDS

Durante o boom da doença, muitas crianças perderam os pais e tiveram, por conta do preconceito, muitas dificuldades para encontrarem uma nova família.

A epidemia de AIDS no mundo, datada do final dos anos 70, trouxe uma espécie de histeria coletiva. A sociedade enfrentou uma patologia com potencial destrutivo que há muito tempo não era vista. Os casos de infecção pelo vírus HIV e desenvolvimento da terrível doença se multiplicavam exponencialmente, causando pânico nas populações ao redor do globo. No Brasil, a história não foi diferente. A princípio, culparam os homossexuais como transmissores e vetores do vírus, mas, com o tempo, as pessoas descobriram que ninguém, independente de orientação sexual, estava livre da contaminação. Muita gente, que viveu os anos 80 e 90, conheceu alguém que se foi vítima da terrível síndrome.

É nesse ambiente de paranoias e incertezas que muitas crianças nasceram infectadas com o vírus, o qual pegavam da mãe através da gestação, parto ou posteriormente, durante a amamentação. Esses pequenos portadores perdiam seus pais muito cedo, em decorrência da AIDS.

Parte das famílias não aceitava ficar com a criança, primeiro por não conseguirem pagar o coquetel de remédios para controle viral e também por não conhecerem as formas de transmissão (na época, pensava-se que o HIV poderia ser passado até pelo suor). Esses órfãos eram recolhidos na FEBEM ( Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor) e recebiam uma espécie de condenação ao abandono, pois as famílias que se interessavam em adotar, não queriam crianças portadoras do vírus. Geralmente, casais homossexuais se interessavam pelos órfãos, mas as leis os impediam de participar do processo de adoção.

Essas crianças, durante anos, passaram por todo tipo de preconceito, elas reuniam características típicas de quem sofre rejeição do tecido social: eram pobres, muitas vezes negras, órfãos e tinham HIV. Ninguém sabe muito bem dizer qual foi o destino desses meninos. Certamente, muitos deles se foram antes do término da infância, alguns poucos foram adotados, outros necessitaram de auxílio governamental e caridade para poder sobreviver pelo caminho da vida.
A história desses meninos é uma das inúmeras marcas que a terrível epidemia de HIV e AIDS deixou na sociedade do final do século XX.

Atenção: para compreender melhor o texto, é importante ter em mente que existe diferença entre HIV e AIDS, o primeiro é o vírus que se hospeda no corpo, o segundo é a doença decorrente da infecção causada pelo vírus

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